Por bferreira

Rio - O Estado do Rio será o principal beneficiado com a produção de petróleo do campo de Libra arrematado em leilão por consórcio que terá a participação da Petrobras. Base de maior parte da indústria do setor, o estado receberá a maioria dos investimentos em logística e equipamentos. Para cada R$ 1 bilhão investido na cadeia de petróleo, 33 mil postos de trabalho são abertos, segundo o pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), Fernando de Holanda Barbosa Filho.

O campo de Libra está localizado em território fluminense. Maior parte dos investimentos virá para o estadoAgência Petrobras

onsiderando os dados, a previsão é que sejam gerados mais de 12 milhões de postos de trabalho devido aos investimentos ao longo de 30 anos.

Com o leilão dessa área do pré-sal vão ser injetados na região cerca de R$ 390 bilhões no mesmo período. “A maior parte da indústria petroleira já está aqui (no estado). O campo se localiza em território fluminense e, com isto, somos o destino natural dos recursos que serão aplicados em logística e equipamentos”, disse o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno.

BENS DE CAPITAL

O secretário explicou que para o desenvolvimento de Libra, as indústrias vão comprar quilômetros de tubos flexíveis, encomendar até 15 plataformas, além de peças menores e até tinta para embarcações. “Helicópteros, empresas que forneçam alimentação para os trabalhadores embarcados nas plataformas ou sondas, enfim, toda a cadeia será impactada”, destacou.

A expectativa faz crescer a confiança em relação ao futuro. Apesar de ser uma realidade, a primeira gota de óleo do campo de Libra será extraída apenas em meados de 2018. Até lá, a cadeia produtiva sobreviverá somente com os investimentos das indústrias.

“O segmento precisa investir para obter resultados”, ressaltou Holanda, da FGV, acrescentando que o consórcio e demais empresas terão que contratar, alugar e adquirir maquinário.

Governo cria plano contra vazamentos

A presidenta Dilma Rousseff assinou ontem o decreto que institui o Plano Nacional de Contingência (PNC) contra vazamentos de petróleo em alto-mar. Dilma afirmou ainda que o governo está satisfeito com a licitação, rebatendo as críticas do mercado em relação ao modelo de contrato para o leilão, que foi de partilha.

“O governo não tem intenção de modificar o documento para os pregões futuros”, disse, em reposta a alguns especialistas em energia, para quem o contrato torna o certame desinteressante às grandes petroleiras que, na maioria, ficaram fora da disputa.

Para a presidenta, existe uma incompreensão do que significa a exploração em Libra.

Lobão garante condições

Críticas à Petrobras por conta de um suposto “enfraquecimento de caixa” alterou os ânimos do governo. Isso porque, devido ao leilão, a companhia terá que pagar R$ 6 bilhões à PPSA, estatal criada para fiscalizar o pré-sal.

O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou ontem que a Petrobras “tem plenas condições de prover suas necessidades financeiras”. Já a presidenta da companhia, Graça Foster, não comentou o assunto, mas enviou uma carta aos funcionários da petroleira pedindo “engajamento”.

REGIME DE PARTILHA

O modelo de exploração por partilha da produção regulamenta a exploração de campos estratégicos.

As companhias que vencem o pregão precisam pagar um bônus de R$ 15 bilhões para explorar a área.

Do petróleo extraído, o mínimo de 41,6% fica com a União, mas vence a dispusta o consórcio que ampliar esta fatia.

A empresa vencedora tem, obrigatoriamente, a Petrobras como sócia, que será operadora obrigatória com no mínimo 30% de participação.

A Pré-Sal SA (PPSA), estatal criada pelo governo para fiscalizar as operações, torna-se dona da metade dos assentos do comitê operador do consórcio.

O Campo de Libra localiza-se no lado fluminense da Bacia de Santos. É a maior reserva do mundo até o momento, com capacidade de 1,4 milhão de barris por dia.

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