Por tamyres.matos

Rio - Enquanto a Prefeitura do Rio busca alternativas para minimizar os impactos da interdição da Perimetral, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp) já contabiliza 70 projetos corporativos e residenciais que serão implantados no projeto Porto Maravilha. Além disso, novos restaurantes, lojas e empresas já se instalam ao longo da Rua Sacadura Cabral e imediações, confirmando o sucesso da revitalização da região.

O Porto Novo Residencial abrigará vilas de árbitros e de mídia não credenciada das OlimpíadasDivulgação

“Os recursos das obras de de infraestrutura estão garantidos com o leilão dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). Agora, vem o desenvolvimento imobiliário, indutor econômico para os moradores da região”, destaca o diretor financeiro da Cdurp, Sérgio Lopes.

Entre os empreendimentos que integram a carteira da companhia estão empresas como GVT, Subsea7, São Carlos, Concal, além de empreendimentos como Porto Atlântico, da João Fortes Engenharia, e Porto Vida Residencial, do consórcio Porto Novo. O Banco Central também estará na região.

Desde o começo das obras do Porto Maravilha, há dois anos, a valorização imobiliária ultrapassou 150%. “O metro quadrado da região subiu. Hoje, todo o Centro vive momento favorável, com lançamentos de prédios que receberam retrofit”, aponta Leonardo Schneider, do Sindicato da Habitação (Secovi-Rio).

ENGENHARIA FINANCEIRA

CEPACS

Certificados de Potencial Adicional de Construção, emitidos pela Prefeitura do Rio, e usados para financiar as operações urbanas consorciadas para recuperar áreas degradadas. Para as obras viárias e de infraestrutura em cinco milhões de metros quadrados da Região do Porto foram emitidos 6,44 milhões de Cepacs.

LOTE ÚNICO

Por meio de leilão, os Cepacs foram arrematados em lote único pela Caixa Econômica Federal por R$ 3,5 bilhões. Os recursos integram o Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha (Fiipm), administrado pela Caixa, e que servem para pagar as obras que estão sendo feitas.

PÚBLICO-PRIVADA

As obras de revitalização e implementação de serviços públicos do projeto Porto Maravilha no valor de R$ 7,6 bilhões são feitas por meio de uma parceria público-privada (PPP), composta pela prefeitura e pelo consórcio Porto Novo (Odebrecht, OAS e Carioca). O grupo é responsável pela manutenção dos serviços por 15 anos.

Melhor mobilidade atrai universidade

De olho nas oportunidades a serem criadas no Porto do Rio, há dois anos a Universidade Estácio de Sá decidiu se instalar na região. Após 22 meses de obras de revitalização do antigo Edifício Venezuela, que no passado abrigou a sede da TV e das rádios Tupi, e que consumiram R$14 milhões, a instituição instalou ali as estruturas de ensino a distância, educação corporativa, cursos livres e preparatórios para concursos.

Renata Ribeiro reivindica mais comércio para a região do portoPaulo Alvadia / Agência O Dia

“Tivemos que tomar uma decisão estratégica para implantar uma nova estrutura. Já pensando no futuro e aproveitando o benefício fiscal da área, resolvemos nos instalar no Porto do Rio, pois é uma área central e no meio do caminho entre os aeroportos do Galeão e Santos Dumont. Assim, evitamos o problema de mobilidade, caso fôssemos para a Barra da Tijuca”, diz Marcos Lemos, diretor de EAD da Estácio de Sá.

Vendas triplicam desde o começo da revitalização

Sócio do restaurante Angu do Gomes, no Largo São Francisco da Prainha, Rigo Duarte afirma que as vendas triplicaram após a revitalização da região. O empresário João Rodrigo espera ter feito a aposta certa ao abrir o Botequim do Porto. Cláudia Melo, do Trapiche Gamboa, aprovou as melhorias e o retorno do público.

Mas Renata Ribeiro, que trabalha há oito anos na área portuária, reclama da falta de opções na região. Segundo ela, a novidade foi a inauguração das Lojas Americanas na Rua Sacadura Cabral. “Espero venham outras lojas e bancos”, diz.

Você pode gostar