Mais de 3 mil demissões abalam os portos de Itaguaí e do Açu

Empreendimentos ligados a Eike Batista sofrem com a instabilidade do Grupo EBX. Secretários municipais estão confiantes quanto ao futuro dos projetos

Por O Dia

Rio - Nos últimos dois meses foram demitidos 3.300 estivadores de dois dos principais empreendimentos ligados ao Grupo EBX, de Eike Batista. As dispensas mais recentes ocorreram em 1º de outubro, quando 1.500 trabalhadores deixaram o Porto de Itaguaí. Em São João da Barra, os cortes atingiram 1.800 funcionários do Porto Açu e o Imposto Sobre Serviços (ISS) caiu aproximadamente R$ 50 milhões.

Apesar das inúmeras demissões%2C Porto do Açu%2C agora com novos administradores%2C movimenta a cadeia produtiva do petróleo e gás%2C estaleiros e outros empreendimentos locaisDivulgação

Apesar das demissões em massa, os governantes se dizem confiantes com relação ao futuro destes projetos. Isto porque a principal companhia ligada ao chamado superporto, a LLX Logística, tem novo controlador desde agosto deste ano. Trata-se do fundo de investimentos americano EIG.

Chefe de gabinete da prefeitura de São João da Barra, Antônio Neves disse que o novo controlador assegurou a continuidade do empreendimento. Além disso, inicia em 2014 o funcionamento do TX1, o terminal para embarque de minério de ferro extraído pela Anglo American, que será transportado de Minas até o porto por meio de um mineroduto com 525 km. “No TX2, canal aberto em terra, já estão em atividade três indústrias fabricantes de tubos que ligam poços de petróleo a plataformas em alto mar”, destacou.

SITUAÇÃO PODE SER AINDA PIOR

Com relação às demissões, ele frisou que a situação pode ser ainda pior, lembrando que a espanhola Acciona dispensou 1.500 trabalhadores após a OSX (empresa de construção naval de Eike) confirmar a redução no projeto do estaleiro local.

“Apesar disso, diversas empresas já atuantes na cidade poderão absorver estes profissionais”, declarou, citando a National Oilwell Varco (NOV), Technip Brasil, Wärtsilä, InterMoor, GE, Vallourec , ASCO Brasil, BP Marine, Anglo American e Eneva.

Secretário de desenvolvimento econômico de Itaguaí, Marcos Praxedes ressaltou que parte dos demitidos já foi absorvida. Segundo ele, um hospital contratou 500 profissionais e a Itaguaí Construções Navais (ICN), uma joint venture formada pelas empresas Direction des Constructions Navales et Services (DCNS) e Odebrecht, deverá absorver outros tantos.

Novos gestores vão investir nos projetos

Os novos controladores da LLX pretendem injetar R$ 1,3 bilhão na empresa por meio de emissão de ações na Bolsa de Valores. Eike continua como acionista, mas não tem a mesma influência, devido à parceria.

Já o Porto de Itaguaí, também chamado Porto Sudeste, foi vendido em agosto para o consórcio formado pela 'trading' Trafigura e o fundo Mubadala, de Abu Dhabi, que agora possuem 65% da empresa. O negócio envolveu US$ 400 milhões.

Os secretários e prefeitos de Itaguaí e São João da Barra estão otimistas com relação ao futuro destes empreendimentos devido à nova administração, que em conversas previamente travadas, asseguraram a continuidade dos projetos.