Bancos diminuem despesas contra calote de Eike

Além disso, Itaú, Santander e Bradesco até aumentam a cobertura contra inadimplência

Por O Dia

Rio - Grandes bancos comerciais, como Bradesco, Itaú e Santander, vêm reduzindo suas despesas para formar um colchão contra eventuais calotes das empresas do grupo EBX, do empresário Eike Batista, o que é visto como algo positivo pelos analistas, de redução do risco da carteira de crédito.

Os três bancos já divulgaram seu balanço financeiro do terceiro trimestre do ano. Outros credores, como BTG Pactual, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e Caixa Econômica ainda não divulgaram seu resultado.

Eike BatistaReuters

De acordo com dados relativos ao segundo trimestre do ano, os últimos disponíveis, o Bradesco era o banco privado mais exposto aos eventuais riscos de calote do grupo de Eike Batista, apesar desta exposição ter declinado 14,2% comparado ao trimestre anterior, para R$ 868 milhões. Já a exposição do Itaú caiu 20,5%, para R$ 802 milhões, enquanto o Santander aumentou sua exposição em 4,3%, para R$ 264 milhões.

O levantamento, feito pelo analista Philip Finch, do banco UBS, leva em conta apenas as informações disponíveis pelas empresas X, já que, nos bancos, o fornecimento de informações sobre clientes são protegidas pelo sigilo bancário.

No Bradesco, as despesas com cobertura para empréstimos de liquidação duvidosa caíram de R$ 3,3 bilhões no terceiro trimestre do ano passado para R$ 2,8 bilhões no mesmo período este ano. Já o Itaú reduziu estas despesas de R$ 6,12 bilhões para R$ 4,5 bilhões no mesmo período. Nos nove primeiros meses do ano comparado com o mesmo período do ano passado, estes gastos caíram 4,3% no Santander.

MAIORES EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS POR BANCO (em R$)*

BNDES - 3,8 bilhões
Caixa - 1,5 bilhão
Bradesco - 868 milhões
Itaú - 802 milhões
BTG - 570 milhões
BNB - 450 milhões
HSBC - 425 milhões
Santander - 264 milhões
Morgan Stanley - 250 milhões
Citibank - 218 milhões
Banco de Bogotá - 54 milhões
*Levantamento do UBS

Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating ressalta, porém, que as despesas caem em um momento de menor concessão de crédito pelas instituições financeiras, no qual as carteiras de crédito crescem menos.

Para medir efetivamente o quanto os bancos estão protegidos, basta olhar a cobertura adicional da carteira de crédito, que vêm se mantendo ou declinando pouco, aponta. "Eles já se prepararam lá atrás, e agora estão consumindo pouco estes recursos, o que dá mais segurança."

A provisão adicional do Itaú somava R$ 5,05 bilhões em setembro, e se manteve com relação ao trimestre anterior. A provisão adicional do Bradesco se manteve praticamente estável em R$ 4 bilhões, enquanto a do Santander subiu de R$ 645,4 milhões para R$ 687,3 milhões. "No pior cenário (de um calote), eles têm recursos suficientes para cobrir o prejuízo."

Risco limitado

Para o analista do UBS, os riscos para os bancos são limitados diante de um cenário no qual a Eneva (antiga MPX), OGX Maranhão, MMX Porto Sudeste foram ou serão recapitalizadas e estão passando por reestruturação de sua estrutura societária; a LLX confirmou uma injeção de capital e extensão de financiamento; e MMX e CCX venderam parte de seus ativos para investidores estrangeiros.

Os analistas ressaltam que o Itaú e Santander eram os únicos que tinham exposição à petroleira OGX, que pediu recuperação judicial em 30 de outubro. Porém, o financiamento dos bancos eram relativos à sua subsidiária OGX Maranhão, cuja venda foi acertada e a empresa deve receber uma injeção de capital , o que reduz a necessidade de cobertura dos bancos contra eventual calote. A maior parte da dívida da OGX está nas mãos de bancos estrangeiros.

Além disso, os analistas acreditam que a maioria dos empréstimos e financiamentos têm garantias, tanto em dinheiro ou ações das companhias. Apesar do derretimento das ações, os bancos poderiam ainda executar as garantias em dinheiro.

As informações são da repórter Marília Almeida, do iG

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