Por bferreira

Rio - A economia brasileira vai mal porque o consumo das famílias está diminuindo. Portanto, a queda de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano em comparação ao trimestre anterior, divulgada ontem pelo IBGE, reflete diminuição de meio por cento na renda da população. A afirmação é do economista Otto Nogami, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

“O PIB é também um indicador da renda do brasileiro que, no agregado nacional, está em queda, mas existem outros fatores que contribuíram para o fraco resultado, como a diminuição em 2,2% da formação bruta de capital fixo, que trata do investimento estrangeiro”, explicou Nogami, acrescentando que de igual modo, o segmento agropecuário registrou decréscimo de 3,5%, ajudando a puxar o PIB para baixo.

O economista ressaltou que o governo precisa ser mais cauteloso ao antecipar a divulgação de dados econômicos, fazendo clara referência à postura do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que na terça-feira se antecipou ao IBGE ao noticiar que o PIB havia crescido 2,5% em relação a igual período do ano passado.

“Dependendo da ótica que se escolhe no levantamento do PIB, que pode ser a produção, a despesa ou o período de comparação, pode-se confundir, criando expectativas incorretas e até gerar danos ao mercado”, afirma

Nogami criticou a condução da política econômica devido às inúmeras interferências do governo, causando danos aos preços cobrados pela indústria, comércio e serviços. Para investidores internacionais, o Brasil está entre os países mais fechados do mundo, no que se refere à livre concorrência. Além disso, frisou, a política fiscal de gastos elevados impede que se encontre o ponto de equilíbrio entre arrecadação e contas públicas.

Brasil fica em terceiro entre os Brics

O crescimento de 2,2% do PIB no terceiro trimestre desse ano, em comparação a igual período de 2012, segundo o IBGE, colocou o país em terceiro lugar de crescimento entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

A liderança coube à China, com alta de 7,8% na mesma base comparativa, seguida pela Índia (4,8%). Atrás do Brasil, em termos de desempenho de suas economias no terceiro trimestre, estão a África do Sul, com expansão de 1,8%; e a Rússia, com alta de 1,2%, na comparação com igual trimestre do ano anterior. Em termos de PIB per capita, o país, com US$ 12,1 mil, só ficou atrás da economia russa (US$ 17,7 mil). Após o Brasil, vieram África do Sul (US$ 11,3 mil); China (US$ 9,1 mil) e Índia (US$ 3,9 mil).

“A economia está em trajetória de expansão gradual e se manterá”, avaliou o ministro Guido Mantega ontem. Porém, ele reconheceu que o desempenho está abaixo do desejado.

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