Por julia.amin
Publicado 11/12/2013 18:50 | Atualizado 11/12/2013 18:55

São Paulo - As empresas de ônibus interestaduais estarão mais sujeitas a multas quando houver atrasos e viagens, descumprimentos de paradas obrigatórias ou problemas mecânicos – como um pneu furado. O leilão das linhas, previsto para ocorrer em janeiro de 2014, estabelece que todos os veículos deverão contar com um equipamentos de monitoramento do desempenho das viagens, chamado de sistema embarcado.

Hoje, as punições dependem de ações de fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e das reclamações de passageiros. Às vezes, nem isso adianta.

Terminal rodoviário do Rio Severino Silva / Agência O Dia

“A gente não está nas estradas para saber tudo o que está quebrando”, diz Sônia Rodrigues Haddad, superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros da ANTT, em entrevista ao iG. “Hoje, se há um descumprimento qualquer e vem o usuário reclamar, tem que ter um atendimento em 'xis' horas, como a ANTT vai apurar um fato que já passou? No caso do sistema embarcado, a gente vai saber que [a empresa] não atendeu [as condições adequadas].”

Novo modelo

A fiscalização mais rígida faz parte do novo modelo de transporte interestadual proposto pelo governo, parte de um programa batizado de Propass. Os indicadores de desempenho, monitorados pelos equipamentos colocados nos ônibus, e a avaliação dos usuários, acompanhada por meio de pesquisas de satisfação, vão compor uma cesta a partir da qual serão aplicadas penalidades e distribuídos bônus às companhias.

O leilão do Propass está previsto para ocorrer de 20 a 22 de janeiro de 2014. Vencerá quem oferecer o maior desconto médio em cada lote. Os contratos com as novas regras devem ser firmados em dezembro de 2014. Mas esse calendário pode mudar, pois as empresas são contrárias ao certame – até agora, a ANTT informa ter vencido todas as disputas judiciais que envolvem o programa.

Um dos principais motivos de queixas é que o Propass vai redistribuir todas as linhas sem respeitar a organização atual desenvolvida pelo próprio mercado. Um estudo divulgado por uma das empresas também afirma que haverá prejuízo à concorrência, pois o edital prevê 54 lotes e, hoje, há 260 companhias no ramo. O documento também estima que serão eliminados 20 mil a 24 mil empregos, uma vez que serão necessários 8 mil ônibus ante os 12 mil existentes.

“Houve uma consulta pública com 360 sugestões que foram ignoradas”, comenta Hugo de Faveri, diretor comercial da Itapemirim, uma das gigantes do setor. “Para 80% dos usuários o serviço é bom ou ótimo, mas apesar disso o objetivo do edital [do leilão] é reduzir a tarifa reduzindo o número de ônibus e criando um ônibus básico.”

Preços iguais

Sonia, da ANTT, afirma que o corte de empregos e o prejuízo da concorrência são “falácias”.

“A ANTT tem um cadastro de 12 mil ônibus, mas eles não estão em operação [no serviço interestadual]”, diz. “A frota efetivamente necessária [para o serviço prestado atualmente] é inferior aos 8 mil [previstos no edital], está em torno de 7 mil e pouco.”

A superintendente também afirma que o leilão levará a uma maior competição em 41% das linhas atualmente existentes, e diminuição em 6% delas. No trecho que liga Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, o número de empresas que operam subirá de quatro para cinco.

A expectativa é que o certame levará a uma redução de, pelo menos, 4% no preço médio das tarifas. A representante da ANTT, entretanto, foi evasiva ao ser perguntada se ele eliminará a prática de tarifas semelhantes no mesmo trecho. O preço de uma viagem de São Paulo para o Rio, em ônibus convencional, nesta quarta-feira (11), custa exatamente o mesmo valor nas quatro companhias: R$ 74,50.

“A ANTT estipula a tarifa teto, então elas [as empresas] podem praticar a tarifa teto. No caso do leilão, o teto vai passar a ser o desconto médio que a empresa der [no conjunto de linhas que opera]”, afirma a superindente. “Para umas [linhas] pode dar mais, dar menos.”

Reportagem: Vitor Sorano

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