Por tamyres.matos

Rio - O Impostômetro, site que calcula a quantidade de impostos pagos no país, atinge hoje a marca recorde de R$ 1,6 trilhão. O valor corresponde a todos os impostos, taxas e contribuições destinados à União, aos estados e aos municípios, pagos pelos brasileiros. A carga tributária brasileira deve representar 36,42% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de planejamento e Tributação (IBPT), entidade responsável pelo site juntamente com a Associação Comercial de São Paulo.

Dados divulgados ontem pela Secretaria da Receita Federal confirmaram que a carga tributária do país somou 35,85% do PIB em 2012, novo recorde. No ano passado, os impostos somaram R$ 1,57 trilhão, enquanto o PIB do mesmo período somou R$ 4,39 trilhões.

Segundo o órgão, o aumento está relacionado com a expansão do emprego e da renda, visto que os tributos federais que mais registraram crescimento de arrecadação foram a contribuição para o INSS e os valores recolhidos para o FGTS. Além disso, o aumento da carga está relacionado com o maior volume de vendas, gerando maior receita do ICMS (estadual) no último ano.

O comerciante Waldemar Brito considera pouco o retorno dos impostos pagos à administração públicaCarlo Wrede / Agência O Dia

Para o Ministério da Fazenda, é comum que países com rede de proteção social “ampla” tenham carga tributária maior. O país possui programas de transferência de renda, como Bolsa Família, além de transferências previdenciárias.

A carga tributária brasileira de quase 36% em 2012, está acima de países como Turquia (25%), Estados Unidos (25,1%), Suíça (28,5%), Coreia do Sul (25,9%), Canadá (31%) e Israel (32,6%). Para o IBPT, que usa outra metodologia para calcular os tributos, aqui tem a maior carga dos países que compõem os BRICs. Enquanto no Brasil, os impostos somam mais de 36%, na Rússia são 23%, na China, 20%, na Índia, 13%, e na África do Sul, 18%.

Economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solineo diz que a arrecadação é elevada porque o governo gasta mal: “A maior parte dos gastos é em custeio da máquina e não em investimentos.”

Para o economista Gilberto Braga, há um paradoxo, pois a economia não vai bem, com o PIB baixo, mas a arrecadação alta. “Pode ser a eficiência do Fisco”, especula o professor do Ibmec-Rio.

Impostos elevam preço dos produtos

A casa de doces Esplendor, localizada na Rua Gomes Freire, na Lapa, vendia o copinho de água mineral a R$ 1 desde 2009. Só em 2013, o produto sofreu reajuste três vezes.

Waldemar Brito, 50, proprietário da loja, constatou na Nota Carioca um aumento considerável nos preços. “Em anos anteriores, as mercadorias vinham aumentadas em R$ 0,05 e nós conseguíamos absorver. Mas em 2013 os valores passaram para R$ 0,35 e R$ 0,40 por produto. Aí acaba pesando”, ponderou.

“A arrecadação na Lapa é recorde, mas o que vemos é falta de policiamento e esgoto a céu aberto. Há três anos ninguém limpa os bueiros do quarteirão”, questiona Waldemar.

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