Por bferreira
Rio - Para o místico empresário Eike Batista (foto), que nomeou cada de uma de suas empresas com um X como símbolo de multiplicação, o ano com final 13 foi de má sorte. Isso porque veio à tona a real situação de algumas das companhias do Grupo EBX, cujas operações estavam comprometidas devido ao alto endividamento, falta de capacidade de pagamento e, para piorar, nenhum resultado satisfatório em suas atividades base, como exploração de petróleo, logística e energia.
A petrolífera OGX para não ir à falência entrou com pedido de recuperação judicial em outubro, num processo que se arrasta na 4ª Vara de Justiça Empresarial do Rio. Recentemente mudou de nome para Óleo e Gás Participações e um dia antes do Natal fechou acordo com os credores internacionais. Um dos principais ativos do empresário, a MPX Energia ganhou sobrevida após ser adquirida pelo fundo alemão E.ON ao custo de R$ 1,215 bilhão. O efeito cascata da derrocada de Eike culminou com a demissão de três mil funcionários que trabalhavam nos portos do Açu, em São João da Barra, e Superporto Sudeste, em Itaguaí. O desastre só não foi maior porque a LLX Logística foi adquirida pelo fundo americano EIG por R$ 1,3 bilhão.
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O voo de galinha do conglomerado X foi tão nocivo à economia de mercado, que o Brasil ficou prejudicado no exterior e órgãos de regulação nacional agora são alvos de investigação do Ministério Público Federal (MPF), como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Ambas terão que explicar às autoridades a atuação considerada falha perante ao sistema financeiro. O BNDES poderá ser incluído nas investigações.
Empreendimentos previstos para a capital também foram afetados pela crise que se abateu sobre o Grupo EBX, como a revitalização da Marina da Glória e a reforma do Hotel Glória. O primeiro sequer saiu do papel e o segundo está com as obras paradas e, segundo moradores do entorno, abandonado. Desde 2011 o empresário investia cerca de R$20 milhões por ano nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), porém, o repasse foi cancelado e as despesas ficaram sob a responsabilidade do governo do Estado. O luxuoso iate Pink Fleet está, aos poucos, virando sucata.
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Admirado por uns e odiado por outros, Eike Batista atualmente coleciona desafetos, inclusive nas esferas do poder. Ele chegou a ser apontado pela presidenta Dilma Rousseff como “o homem que todo empresário brasileiro deveria se espelhar”, mas em seus últimos meses tem sido evitado pelo governo. Ministro da Fazenda, Guido Mantega disse em novembro que a crise no Grupo EBX estava sendo prejudicial à economia do país.
O ex-magnata trocou o ranking dos mais ricos do mundo segundo revistas especializadas e passou a figurar na lista de maiores fracassos em 2013. Sua fortuna saiu da casa dos bilhões e atualmente está avaliada em menos de R$ 75 milhões. Em dezembro, Eike deixou o edifício Serrador, na Cinelândia, e voltou ao prédio onde iniciou o Grupo EBX no Flamengo. Sua queda foi o fato econômico mais marcante do ano em que emprego bateu recorde, os juros subiram e a tributação também.
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PLENO EMPREGO
A criação de empregos formais no país, no acumulado do ano, teve crescimento de 3,91%, com o acréscimo de 1.546.999 postos de trabalho formais. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. Em novembro, alcançou saldo de 47.486, uma alta de 0,12% em relação ao mês anterior. Melhor resultado para o mês de novembro dos últimos três anos. De acordo com o governo, a expansão de três dos oito setores pesquisados pelo Caged sustentou o crescimento dos postos formais de trabalho.
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Destaque para o comércio, com mais 103.258 vagas de trabalho, e o setor de serviço (44.825). Somados, os dois segmentos superam a queda de posto de trabalho em outros setores, especialmente na indústria da transformação (menos 34.266). A pesquisa Sondagem Industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), também mostrou que o emprego seguiu em contração na indústria. Seu indicador ficou em 48,8 pontos em novembro, ante 48,9 em outubro e 49,4 em novembro de 2012. O porcentual médio de Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu para 74% no mês passado, de 75% em outubro.
>>> O ano marcado por manifestações no funcionalismo terminou sem regulamentação do direito de greve do servidor. No Rio, a paralisação dos professores da rede municipal durou 79 dias, e da estadual, 78. Nas duas esferas, a heróica categoria conseguiu reajuste de 8%. Profissionais de Ensino do município conquistaram também a equiparação entre a hora-aula dos professores 1, 2 e da Educação Infantil. Prefeitura e estado ameaçaram cortar o ponto dos grevistas, mas a Justiça suspendeu as ações. No Senado, o relator Romero Jucá (PMDB-RR) tentou votar o projeto sobre o direito de greve. Servidores questionaram pontos do texto e, após discussões sem resultados, a votação foi adiada para 2014.
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>>> O Governo não cedeu e manteve em 2013 aumento diferenciado a aposentados que ganham salário mínimo e a quem recebe acima do piso. Isso, segundo a Cobap, agravará ainda mais as perdas de trabalhadores como Enildo dos Santos (ao lado): 80% em 15 anos. Tanto a discussão sobre desaposentação e o fim do fator previdenciário ficaram para 2014, apesar da decisão do Superior Tribunal de Justiça que garante ao aposentado que trabalha trocar de benefício, sem devolver o que já recebeu do INSS. Mas o martelo será batido pelo Supremo Tribunal Federal sem uma data definida.
O INSS no Rio adotou medidas para melhorar o atendimento. Mutirões foram feitos e segurados passaram a receber em casa simulação do tempo de serviço. Novas juntas de julgamento foram criadas (acima) para desafogar a tramitação de recursos.
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CAPTAÇÃO POSITIVA
A caderneta de poupança encerrou novembro com um saldo positivo de R$ 6,385 bilhões. Resultado da captação líquida no ano subiu para R$59,845 bilhões, ou R$10,126 bilhões a mais que 2012, registrando o maior patamar anual na história da poupança. A caderneta está positiva há 21 meses, mesmo com a alteração na taxa básica de juros, com um rendimento menor quando a Selic ficou abaixo dos 8,5%.
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BALANÇA TROPEÇA
O fraco desempenho da balança comercial neste ano ocorreu por conta crise financeira internacional, gerado pela queda do comércio mundial, e também, devido ao atraso na contabilização da importação de combustíveis e derivados. O superávit da balança comercial (exportações menos importações) deverá ficar em torno de US$ 2 bilhões. Se esse número se confirmar, será o pior resultado das transações comerciais brasileiras com o exterior desde o ano 2000.
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SUSPENSÃO DOS PLANOS DE SAÚDE
O ano de 2013 foi marcado pelo embate entre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e as operadoras. A primeira intensificou as fiscalizações e suspendeu, ao longo do ano, a comercialização de centenas de planos de saúde. Já as empresas tentam barrar na Justiça o modelo de avaliação da prestação dos serviços para os clientes. O ano de 2014 inicia com novo rol de procedimento para os usuários e a tentativa de conciliação entre agência, empresas e clientes.
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IPI DE VOLTA
A política de incentivos fiscais, promovida pelo governo federal para combater a crise internacional e manter o consumo em alta, não deverá se repetir em 2014. Janeiro inicia com alta no Imposto de Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis e móveis. As novas alíquotas valerão até 30 junho, quando o governo avaliará se voltam ainda mais aos patamares anteriores a 2012.
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DISPARADA NAS MATRÍCULAS E MENSALIDADES
Com a deterioração e a falta de vagas na educação pública, pais são obrigados a pagar por um ensino de qualidade para os filhos. Em 2014, a previsão é que as mensalidades fiquem até 4% acima da inflação, com 9% a a 11% de reajuste.
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VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA
Apesar do cenário de queda nos últimos três meses, a Cidade do Rio continua líder no quesito valorização imobiliária entre as principais cidades do país. Em dezembro, o preço do metro quadrado dos imóveis na capital era, em média, R$9,812 mil. O bairro do Leblon, na Zona Sul, aparece como o mais caro do país com R$21,8 mil.
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BOOM EMPREENDEDOR
Com mais de R$ 100 bilhões de investimentos públicos e privados em andamento no Estado do Rio, há chances para empreender em todos setores, principalmente no segmento de serviços e nas comunidades pacificadas.
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