Por thiago.antunes

Rio - Com a indústria brasileira registrando taxas de crescimento pouco animadoras nos últimos meses, e a construção civil em ritmo de desaquecimento com a finalização das obras da Copa, a esperança para o mercado de trabalho este ano vem do setor comércio e serviços. Com índice estimado, para 2013, em 4,5% e recuperação moderada nas vendas em 6%, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a expectativa é que o setor terciário puxe, mais uma vez, a geração de empregos no país e mantenha o nível de desocupação baixo, em torno dos mesmos 4,6% registrados em novembro pelo IBGE.

O comércio abrirá mais oportunidades de empregos este anoAndré Mourão / Agência O Dia

Já a construção civil, um dos segmentos que mais contribuíram para o aumento de postos nos últimos dez anos (2002 a 2012) e que só em 2012 abriu dois milhões de vagas — 6% de todo o emprego formal no país, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho —, está em ritmo de desaceleração. Segundo dados do último trimestre — setembro, outubro, novembro — da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (PME), a taxa de ocupação do setor, embora estável, se mostra em queda.

Em novembro, número mais recente do IBGE, a taxa de ocupação comparada com o mesmo mês do ano anterior registrou recuo de 4,4%. No mês de outubro, a variação ficou também negativa, (-4%). 

Para o economista da CNC, Fábio Bentes, a tendência nacional mostra uma aceleração da migração de profissionais dos ramos da indústria e construção civil para o setor de comércio e serviços. Segundo o economista, o movimento já é intenso em Salvador, desde maio.

“A capital baiana salta os olhos. Mesmo o estado contando com a pior performance no varejo, a taxa de ocupação do setor cresceu 15%. Quando se olha para a indústria e a construção civil, no entanto, a ocupação caiu 11%”, explica.

Indústria deve segurar pessoal

Gerente executivo da unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco acredita que a indústria vai tentar ao máximo segurar os bons profissionais, evitando grandes demissões.

Segundo os dados da RAIS/MTE, só no ano passado as indústrias do petróleo e minério de ferro e de transformação responderam por quase 18% dos empregos formais no ano — 8 milhões. No entanto, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE revela uma aceleração da desocupação no setor.

Em novembro, a taxa de ocupação teve recuo de 3,9%, frente ao mesmo período de 2012 e, em outubro, a queda foi de 2,4%. Para Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, 2014 se inicia com um mercado de trabalho aquecido.

Segundo o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da FGV, houve um avanço de 2,1% em dezembro em relação ao mês anterior, o que, segundo o especialista, mostra um cenário positivo de recuperação de geração de empregos para o ano, com o retorno de contratações

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