Por thiago.antunes
Publicado 09/01/2014 23:26

Rio - Quem quiser viajar do Rio para São Paulo em ônibus convencional tem cinco opções de empresas. Mas apesar das alternativas, o valor cobrado pelas passagens é o mesmo: R$ 80,90 para ir e R$ 74,50 para voltar em qualquer uma delas. A maior ligação rodoviária entre os dois estados é a única, entre as dez maiores do país, em que todas as companhias concorrentes praticam valor igual para o serviço convencional, que é o mais em conta.

Cinco viações são autorizadas a atuar neste trajeto, por onde trafegam cerca de 1,4 milhão de pessoas por ano. Segundo a Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTT), são Expresso Brasileiro, Viação Itapemirim, Expresso Kaiowa, Expresso do Sul e Auto Viação 1001 — essas duas, do mesmo grupo JCA. Uma sexta, a Transportes Coletivos Brasil (TBC) possui aval judicial, mas não informou o preço que cobra.

Apesar de cinco empresas atuarem na ponte rodoviária Rio-São Paulo%2C o consumidor paga o mesmo preço para viajar entre as duas cidadesAgência O Dia

O passageiro que pretende viajar em serviço leito — o mais caro — também não encontrará grandes diferença de preço entre as opções: 3% (de R$ 159,50 a R$163,50) para o Rio e 6% (de R$ 159,50 a R$ 163,50) para São Paulo. A ANTT estabelece tarifas máximas para cada trecho e tipo de serviço (convencional, executivo e leito). As empresas são livres para estipular os preços ou conceder descontos.

Empresas se defendem

Ricardo Vilaronga, gerente comercial da Expresso Brasileiro, avalia que no caso da ponte rodoviária Rio-São Paulo, há pouca margem para ofertas. “Pelo cliente, com certeza seria melhor se fosse mais baixo. Mas o entendimento é que [o valor praticado] é justo”, afirma, lembrando ainda que as promoções têm de ter duração limitada. 

A 1001 informou, em nota, que as tarifas cobradas estão de acordo com os valores autorizados pela agência. Um representante da Kaiowa ressaltou que a viagem entre Rio e São Paulo é parte de uma linha maior, que liga Foz do Iguaçu à capital fluminense. As demais empresas não comentaram o assunto.

A agência tenta, sem sucesso, fazer um leilão das linhas interestaduais. Na análise da superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros da ANTT, Sônia Rodrigues Haddad, o processo licitatório ampliará a concorrência em 41% das atuais linhas do país — inclusive entre Rio e São Paulo. Mas só vão poder participar as empresas que já atuam nesse mercado.

Com leilão de linhas, redução poderia chegar a 4%

O leilão para novas linhas interestaduais que a Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT) pretende fazer, suspenso por tempo indeterminado por decisão judicial, pode levar a uma redução mínima de pelo menos 4% nos preços atualmente praticados.

De acordo com a superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros da agência Sônia Rodrigues Haddad, o leilão “com certeza” resultaria em uma situação em que parte das empresas de um determinado trecho rodoviário deixassem de praticar o teto tarifário.

Presidente da Comissão Técnica de Ônibus da Associação de Transportes Públicos, Claudio Frederico diz que o ideal seria aplicar ao sistema o mesmo modelo usado no setor aéreo do país. As empresas são livres para dar descontos individualizados, e não a todos os passageiros de uma mesma viagem, por exemplo.

Trecho no Sul tem a maior diferença entre tarifas

Levantamento feito pelo portal iG, nesta semana, usando dados da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTT) e das viações, demonstra que, em média, a diferença entre o maior e o menor preço nos dez trechos com mais passageiros é de 12%. Mas há variações importantes. De Curitiba (PR) para Florianópolis (SC), a tarifa mais alta é 38% superior do que a menor.
Do Rio de Janeiro (RJ) para Juiz de Fora (MG), conexão operada por apenas duas viações associadas, a diferença é de apenas 1%.

Já para Claudio Frederico, presidente da Comissão Técnica de Ônibus da Associação de Transportes Públicos, o sistema rodoviário interestadual está preso numa lógica de prato feito: um sucesso, mas com preços e composições semelhantes em todo o lugar. Ele argumenta que as empresas têm pouca flexibilidade para mexer nas tarifas e na oferta de serviços. “Essa tutela tem gerado pequenas variações de preços. Se ninguém pode mudar muito, não vai haver mesmo muita diferença de preço”, diz.

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