Por thiago.antunes

Rio - Quem não aproveitou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros zero até o fim do ano passado tem chance de se beneficiar. Montadoras e concessionárias do Rio ainda oferecem veículos 2013, modelos 2014 com o imposto antigo. Conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), há cerca de 400 mil automóveis nas lojas em todo o país com o IPI reduzido para os automóveis ano 2013, modelo 2014. No Rio, a média de desconto varia de R$ 2,8 mil a R$ 5 mil, dependendo da marca do carro.

Alguns deles, inclusive, já com airbags e freio ABS, itens que passaram a ser obrigatórios a partir de ano. Para automóveis modelo 2014, ano 2014, a alíquota subiu de 2% para 3%, para motores flex 1.0, e de 7% para 9%, para bicombustíveis até 2.0. “Esse estoque é composto por automóveis faturados pelas montadoras ainda em 2013. Portanto, não tiveram o imposto elevado, determinado pelo governo para as unidades que saírem das fábricas este ano. O número de carros com IPI antigo nas lojas equivale a 40 dias de vendas”, explica Alarico Assumpção Júnior, presidente-executivo da Fenabrave.

O médico João Felipe Erthal%2C de 24 anos%2C pretende aproveitar o momento para trocar de carro%2C antes que o imposto aumente. “É possível que eu feche o acordo ainda hoje"Ernesto Carriço / Agência O Dia

Para zerar estoque, a Renault lança nesta quinta-feira  a campanha “Mãozona Renault”, em que os carros, ainda com o imposto menor, são vendidos com primeiras parcelas só para abril. “Já prevendo o imposto, faturamos lotes de carro em dezembro, com o IPI antigo. O fato de ter um banco da montadora também ajuda muito”, diz Bruno Hohmann, diretor de marketing, que prevê seis lançamentos em 2014.

A estratégia de manter os preços de 2013 é repetida pela Ford. Segundo a fábrica, continuam a valer os preços de dezembro e o ajuste do estoque será feito de acordo com a demanda. Já a GM afirma que sua ação “Breca Varejo”, que também começa hoje, já é uma tradição.

Antecipação de venda

Para o economista da consultoria LCA, Francisco Pessoa, as promoções não criam novas demandas e podem apenas antecipar vendas que ocorreriam ao longo do ano. Além disso, tendem a atrair “compradores de impulso”, que não terão condições de manter financiamentos.
“Não é possível fazer bens de consumo duráveis crescerem o tempo inteiro. Temos que lidar agora com a renovação da frota, mas as taxas de crescimento ficaram para o passado. É um problema mundial”, completa.

Francisco Veríssimo%2C da Distac%2C diz que há 600 carros no estoqueErnesto Carriço / Agência O Dia

Queda nas vendas de carros ainda não é uma tendência, dizem especialistas

Apesar de a associação das montadoras, a Anfavea, ter anunciado queda de 0,9% nas vendas de veículos novos no país em 2013, especialistas avaliam que o dado ainda não é uma tendência que vá reduzir a frota de carros e contribuir para a melhoria da mobilidade nas cidades brasileiras.
“Me parece que é muito mais um momento econômico do que uma nova tendência na mobilidade urbana. Entretanto, não deixa de ser uma boa notícia para a mobilidade”, avaliou Pedro Torres, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, na sigla em inglês).

O próprio presidente da Anfavea, Luiz Moan, estima que 2014 deve voltar a ter um crescimento das vendas, da ordem de 1,1%. Nos últimos anos, os carros são considerados os vilões dos crescentes engarrafamentos nas metrópoles, como o Rio. De 2003 a 2013, a frota de veículos subiu 85%, no Brasil, e 64,5%, no Estado do Rio. No ano passado, os fluminenses registraram uma queda mais intensa do que o resto do país: de 2,5%, segundo o Detran-RJ.

“Nos Estados Unidos, pesquisas mostram que o carro deixou de ser o primeiro sonho de consumo dos jovens, que passaram a preferir cidades com bons sistemas de transportes. Vamos ver se isso mudará aqui também”, conclui Torres, do ITDP.

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