Por thiago.antunes
Rio - A Avianca anunciou nesta terça-feira que adotará uma tarifa máxima de R$ 999 para os 22 destinos nacionais operados pela empresa. A medida é semelhante a da Azul, divulgada na semana passada, para o período da Copa do Mundo. Porém, a Avianca informou que o limite tarifário vai vigorar a partir de 1º de fevereiro até 31 de julho, duas semana após o término da competição.
Por meio de nota, também a TAM divulgou que solicitou, em dezembro, à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorização para operar mil voos extras, sendo 850 domésticos, no período entre junho e julho de 2014. A expectativa do setor é que a agência anuncie, entre hoje e amanhã, a liberação de cerca de 1.500 voos domésticos no período.
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Das quatro principais voadoras do país, apenas a Gol ainda não se pronunciou sobre possíveis ações para a Copa do Mundo. De acordo com a assessoria, a empresa aguarda o posicionamento da Anac para, então, divulgar suas estratégias para atender à demanda.
Com o pedido de 430 voos adicionais para atender aos destinos da competição%2C a empresa espera conquistar mais passageiros no paísBanco de imagens

A política de vendas anunciada pela Avianca inclui feriados e eventos do período, como o Carnaval, além da Copa do Mundo. Segundo o comunicado da companhia, as compras dentro das novas regras podem ser feitas a partir de amanhã. A aérea informou também que ontem solicitou à agência autorização para 430 voos adicionais para atender exclusivamente os destinos da Copa.

Com frota de 39 aeronaves, operando em 24 aeroportos brasileiros, a Avianca projeta 19 % de aumento na oferta de assentos em 2014, acompanhando a evolução das operações. Atualmente, a companhia mantém 176 voos domésticos diários. Com as novas solicitações, o número passará para 187, segundo a empresa. 
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“Acredito que essa promoção vai trazer mais passageiros”, comentou o presidente da empresa, José Efromovich. Ele evitou estimar possíveis perdas no faturamento com a decisão de estabelecer um teto máximo para a tarifa. “Para nós, os números fecham”, disse. 
Mesmo assim, o presidente da Avianca prevê que irá perder passageiros de negócios durante a competição e que geralmente compram os bilhetes mais caros: “A Copa não é a maior das oportunidades de receita para as companhias aéreas.”
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Empresa investirá R$ 50 milhões
A iniciativa da Azul, seguida nesta terça-feira pela da Avianca, foi elogiada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ela afirmou que “a atitude da companhia é colaborativa com a Copa e com o país, mas sobretudo é respeitosa com os consumidores”.
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Durante o anúncio na semana passada, o presidente da Azul, David Neeleman, disse que a medida vai gera uma perda para a companhia de R$ 20 milhões, mas que trará benefício à imagem da empresa, pois além de mostrar que a companhia não quer aproveitar o evento esportivo para ganhar mais dinheiro, poderá permitir que novos passageiros voem com a companhia.
No comunicado desta terça da TAM, a empresa informou que vai investir mais de R$ 50 milhões para operar os mil voos extras solicitados à Anac. Além disso, segundo a aérea, haverá investimentos em capacitação e contratação temporária de mais de mil colaboradores.
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Presidente da TAM, Claudia Sender informou ainda que a companhia reforçará suas operações para trazer os turistas estrangeiros, solicitando mais de 200 voos internacionais para o país no período.
Aéreas fazem concorrência monopolista
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Para o economista Marcello Bolzan, a medida adotada pela Azul, na semana passada, foi uma tentativa de furar o conluio das demais empresas. Isto porque, na visão do especialista, a aviação comercial no país atua em concorrência monopolista, ou seja, elas abaixam e aumentam os preços de forma coordenada. “A Avianca tenta pegar carona na iniciativa da Azul, porque tanto uma como a outra precisam ganhar mercado”, explicou Bolzan.
Diretor do Instituto de Desenvolvimento e Estudos de Governo (Ideg), ele conta que se desloca muito pelo país e que, para o cliente, a iniciativa das duas empresas é muito oportuna, principalmente porque viajar de avião é tão vantajoso ou mais do que de ônibus.
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O economista gasta cerca de R$ 3 mil por mês com passagens aéreas. Há algumas semanas se viu obrigado a ir a São Paulo em um ônibus leito e pagou R$170. “Comprando com antecedência, você gasta bem menos de avião”, adiantou. “O meio aéreo perde para outro, quando o consumidor não compra as passagens antecipadas”, afirmou.
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