Por thiago.antunes
Rio - A taxa básica de juros subiu novamente. Nesta quarta-fera, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a Selic de 10% para 10,50% ao ano. Trata-se do sétimo aumento seguido, em processo iniciado em abril do ano passado. E a decisão foi unânime, com os oito economistas que integram o comitê optando por aumentar a taxa em meio ponto percentual.
A alta da taxa tem por objetivo frear o consumo para conter a inflação, explica a economista Karem Costa, 25 anos. Ela trabalha em um banco na Praça das Nações, em Bonsucesso, e ressaltou que a medida é um dos mecanismos do governo para tentar conter a oscilação dos preços dos produtos e dos serviços.
Para Karem%2C o aumento dos juros é iniciativa rotineira. Mas%2C segundo ela%2C não tem surtido efeito esperadoPaulo Araújo / Agência O Dia

Porém, ela frisa que a iniciativa de aumentar os juros não tem surtido efeito. Karem lembra que os preços da maioria do produtos está aumentando acima da inflação, que fechou 2013 em 5,91% pelo IPCA, do IBGE.

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“O governo aumenta ou abaixa a taxa para o país crescer”, disse, acrescentando que apesar da medida nem sempre acerta a mão. A Federação das Indústrias do Rio (Firjan) emitiu nota informando que nos últimos três anos a economia brasileira conviveu com um quadro de baixo crescimento e inflação acima da meta estabelecida. Para 2014, as expectativas indicam resultado ainda pior.
Pouco impacto
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Diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira acredita que a Selic em 10,50% terá pouco ou nenhum impacto nas taxas de juros das operações de crédito. “Devido à competitividade no setor, as instituições financeiras não vão alterar os juros de suas operações”, disse.
Bancos públicos
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O motivo, segundo Oliveira, é que as instituições privadas querem fazer frente aos bancos públicos, onde as taxas são menores. Isto porque o mercado está aquecido, no entanto a elevação da Selic tem justamente a finalidade de frear o consumo, inclusive o de crédito.
Na prática
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O economista calcula que com a taxa em 10,50% os juros do comércio baterão em 4,29% ao mês e 65,54% ao ano; enquanto os juros do cartão de crédito alcançarão 9,41% ao mês e, exorbitantes, 194,23% ao ano. Na mesma linha, o crédito pessoal será de 3,24% ao mês e 46,61% ao ano, caso os bancos aumentem suas linhas de crédito.
Perspectiva Firjan
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A Firjan acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano será igual ou menor do que os 2% registrados em 2013. Em nota, a entidade destacou que “há necessidade de alterações na política econômica em curso.” Já os economistas da Anbima, Associação do Mercado de Capitais, também apostam que o PIB será de 2% ou menos.
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