Por thiago.antunes
Rio - Se para endividados a elevação da Selic encarece o custo do dinheiro e prejudica quem toma empréstimo, a nova taxa básica de juros em 10,50% favorece aplicadores e investidores. O rendimento dos principais fundos de renda fixa aumenta ao acompanhar os juros. Na quarta-feira, o Copom elevou em 0,5 ponto a taxa Selic.
Porém, antes de escolher onde colocar o dinheiro, o interessado deve saber que para dobrar a quantia aplicada, ele vai levar 36 anos se decidir pela poupança, e 22 anos se optar pelos demais fundos de renda fixa, segundo analistas do site Investidor Jovem.
Dobras de investimento Arte%3A O Dia

Os especialistas mostram que, depois de descontado o Imposto de Renda (IR), a taxa de administração e a própria inflação, o rendimento das aplicações cai bastante, com exceção da poupança que é isenta de IR. Os fundos fixos remuneram cerca de 10% ao ano, mas a rentabilidade real após os abatimentos fica entre 3% e 5%.

Apesar disso, o educador financeiro Reinaldo Domingos explica que as aplicações de renda fixa são as mais adequadas para quem quer proteger o dinheiro. Ele recomenda o Certificado de Depósito Bancário (CDB) pós-fixado, além dos fundos DI, por serem atrelados à variação dos títulos trocados entre os bancos como os Certificados de Depósitos Interbancário (CDI).

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Na sequência das boas aplicações, ele recomenda as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que são títulos negociados via Tesouro Direto. Com relação à poupança, Domingos diz que continua sendo boa aplicação pelo fato de não ter rendimento alterado pela nova Selic. Quando a taxa é maior ou igual a 8,50% ao ano, a caderneta paga sempre 0,50% ao mês e mais Taxa Referencial (TR).
Os especialistas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) também apostam na poupança pela isenção do IR. Eles acreditam que os bancos vão reduzir juros para tornar a caderneta mais atrativa.
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Levantamento do Banco Central (BC) mostra que os fundos fixos renderam ano passado entre 6,61% e 9,06%, antes do desconto do IR. A taxa de juros que os bancos usaram para remunerar estas aplicações foi de 8,06% ao ano. Cabe ressaltar que o Brasil trabalha com duas taxas de juros, a real — que o mercado usa — e a nominal, composta pela inflação e mais o juro real.
Algumas corretoras indicam outras aplicações. O gerente de renda fixa da Um Investimentos, André Mallet, recomenda as Letras do Tesouro Nacional (LTN), que são títulos prefixados. Já o educador financeiro Mauro Calil sugere as Letras de Crédito Mobiliário (LCM) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
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Especialista aposta na poupança e faz comparativos com outros fundos
Diretor da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira reforça a aposta na poupança. Ele explica que, apesar da Selic estar em 10,50% ao ano, a caderneta vai continuar interessante frente a outros fundos de renda fixa, principalmente sobre os que têm taxas de administração superiores a 1% ao ano.
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Tal fato ocorre uma vez que a caderneta tem seu ganho garantido por lei, sendo Taxa Referencial (TR) e mais 6,17% ao ano. “Além disso, a poupança não sofre qualquer tributação”, disse.
“Devido à Taxa Básica de Juros ter ultrapassado o percentual de 8,50% ao ano, o rendimento da poupança antiga e da poupança nova tiveram, em agosto, o mesmo rendimento, que é a TR e mais os 6,17% ao ano”, explicou. Segundo Oliveira, com uma aplicação financeira de R$ 10 mil pelo prazo de 12 meses (com a nova Selic), na poupança antiga, o investidor teria retorno de R$ 731 (7,31% ao ano) totalizando R$ 10.731 em valor aplicado.
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Na poupança nova, este investimento renderia R$ 731 (7,31% ao ano) totalizando um valor aplicado de R$ 10.731. Em um fundo de investimentos cuja taxa de administração seja de 1% ao ano, este investimento daria retorno de R$ 744 (7,44% ao ano) totalizando um valor aplicado de R$ 10.744.
Em um Fundo de investimentos com taxa de administração de 1,50% ao ano, esta aplicação renderia R$ 706 (7,06% ao ano) totalizando um valor aplicado de R$ 10.706.
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