Por thiago.antunes
Rio - O custo médio diário para o carioca ao comer fora de casa, em 2013, foi de R$ 28,37, contra a média nacional de R$ 27,40, conforme pesquisa da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert). Caso o consumidor opte em levar a refeição de casa, ele reduzirá seu custo em um terço: ou seja, fará economia de quase R$ 5 mil ao longo de 12 meses, de acordo especialistas em nutrição.
Além de um refresco no bolso, o nutrólogo José Alexandre Portinho destaca que preparar a própria comida é muito mais saudável e nutritivo para o trabalhador. Ele alerta, no entanto, que armazenar o alimento em uma quentinha e o transporte até o trabalho exigem cuidados para evitar contaminação ou que ele azede.
O empresário Iucatan Harney (D)%2C apesar de almoçar fora todos os dias%2C considera alto o custo das refeições%3A “O ideal é comer em restaurante a quilo"%2C afirmaJoão Laet / Agência O Dia

De acordo com o levantamento feito pelo Instituto Análise em todo o país, a pedido da Assert, o preço médio do prato comercial na Cidade do Rio é de R$ 18,53. Já o self-service custa R$ 20,65 e prato à la carte está em R$40,92. Nilópolis, na Baixada Fluminense, apresenta o segundo maior custo médio da refeição no estado, com R$ 26,74, seguido de Niterói, com R$ 26,61, e Duque de Caxias, a R$ 26,02. Fora da Região Metropolitana, a cidade de Macaé, Norte do estado, possui o maior valor médio: R$ 29,06.

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O empresário do setor de acrílicos em Niterói, Iucatan Harney, 62 anos, confirma que comer fora de casa tem custo elevado. Segundo ele, almoçar em um restaurante à quilo sai mais em conta, já que é possível servir a quantidade e os alimentos desejáveis. Ontem, porém, Harney pediu um prato executivo do restaurante Gargalo, na Lapa.

“O quilo tem um preço médio em torno de R$ 21. Já o prato executivo aqui sai por R$ 18, um valor razoável, mas leva-se em conta que tem ar condicionado”, disse o empresário, ressaltando o forte calor que o Rio de Janeiro enfrenta.

As amigas Maria Cícera de Souza (E) e Ivonete de Oliveira Gomes (D) almoçam em restaurante na Lapa João Laet / Agência O Dia

Para o consultor de varejo, Marco Quintarelli, do Grupo Azo, o ideal é que o funcionário faça suas refeições no próprio trabalho, controlando assim a qualidade da comida e gastos com alimentação. “Mesmo com o trabalhador recebendo o tíquete-refeição, quando ele come na rua, a tendência é se alimentar mal, pois geralmente, na pressa, faz um lanche ou não come de forma balanceada”, explica o especialista.

De acordo com Quintarelli, o vale-refeição tem preços médios entre R$ 12 e R$20. Assim, para economizar, o trabalhador acaba se alimentando mal e gastando muito. “O ideal seria trazer de casa ou que as empresas oferecessem refeitório com microondas”, disse.

Renda e emprego favorecem comer fora de casa
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Presidente do Centro de Desenvolvimento do Profissional de Vendas (CPDV), Diego Maia afirma que a alimentação tem pesado no bolso do trabalhador. Segundo ele, do custo total que o consumidor brasileiro tem com aquisição de alimentos durante o mês, 30% é gasto com refeição fora de casa. No entanto, nos Estados Unidos (EUA), esse percentual de consumidores chega a 50%.
“O mercado de alimentação fora de casa (o food service)cresce na casa dos dois dígitos nos últimos cinco anos. São restaurantes, bares, padarias e até mesmo o de comida de pronta entrega”, diz Maia.
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O especialista lembra que a estabilidade econômica, o aumento da renda do brasileiro, com a elevaçao do salário mínimo, e o pleno emprego são fatores que favorecem a expansão do segmento de alimentação fora de casa. Além disso, Maia destaca também que a maior participação da mulher no mercado de trabalho amplia o acesso das pessoas que fazem suas refeições em restaurantes.
“Com a mulher trabalhando mais fora de casa, as refeições da família passam a ser feitas em restaurantes e padarias. Além disso, com o pleno emprego no país, é maior o número de tíquetes-refeição no mercado, benefício oferecido pelas empresas ao trabalhador”, afirma.
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Gasto de fazer em casa é um terço
Com a alimentação fora de casa saindo mais caro, o nutrólogo José Alexandre Portinho calcula que o custo de cozinhar em casa é, em média, um terço menor do que comer em restaurante ou bar. Segundo ele, o feijão com arroz é básico na quentinha, que deve ser complementada com legumes, verduras e frutas. “Sempre evitando o excesso de sal e de gordura”, afirma.
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A maquiadora Maria Cícera de Souza, 55 anos, diz que gosta de variar na hora de fazer as suas refeições. “Prefiro experimentar. Por isso, como em vários restaurantes, com preços mais altos e mais baixos. Mas também preparo a comida para o meu filho e o meu marido levarem para o trabalho”, conta ela, que ontem almoçou com a sua amiga Ivonete de Oliveira Gomes, 80, no restaurante Tempero Carioca do João, também na Lapa.
A maquiadora diz que o filho, que é vendedor de loja em um shopping na Zona Sul, prefere levar a refeição de casa, devido ao custo alto dos restaurantes daquela região. Já o marido leva marmita por considerar mais saudável.
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