Jovens da classe média movimentam R$ 129 bilhões

Estudo comprova forte potencial de consumo entre aqueles que têm entre 16 e 24 anos

Por O Dia

Rio - A massa de renda dos jovens entre 16 e 24 anos da nova classe média é estimada em R$ 129 bilhões, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2012, promovida pelo IBGE. Conforme o Instituto Data Popular, especializado em informações sobre a evolução desse grupo nos últimos dez anos, a quantia é superior a soma dos jovens das classes alta (R$ 80 bilhões) e baixa (R$ 19,9 bilhões).

Esse potencial é maior que todo o faturamento dos shoppings em 2012, quando atingiram a cifra de R$ 119,5 bilhões. Os dados do ano passado ainda não foram divulgados, mas a expectativa era de um aumento de 12% nas vendas, principalmente por conta da abertura de novas unidades em todo o país.

vendedor Alan dos Santos Alves diz observar que%2C em determinadas lojas%2C há um atendimento diferenciado quando o cliente está melhor vestidoCarlo Wrede / Agência O Dia

“Segundo o Censo de 2010, o país tem 30,7 milhões de jovens entre 16 e 24 anos. Desse número, 54% deles costumam ir ao shopping pelo menos uma vez por mês. Ou seja, são 16,6 milhões de pessoas que vão a shoppings no país. Será que esses estabelecimentos estão dispostos a abrir mão dessa massa?”, indaga o presidente do Data Popular, Renato Meirelles, fazendo uma referência às criticas e às ações contra os ‘rolezinhos’ no Rio e em São Paulo.

No levantamento ‘O rolezinho e os jovens da Classe Média’, produzido em dezembro último, o instituto ouviu 1.500 jovens em 53 cidades brasileiras. Destes, 24% ou 7,5 milhões de consumidores, declararam que fizeram compras em shoppings no último mês e 55% afirmaram que dão mais importância para as marcas, quando escolhem um produto.

Ainda sobre a intenção de consumo, 2,8 milhões (15%) disseram que pretendem comprar um notebook. Outros 11% (2,1 milhões) querem adquirir um smartphone e o mesmo número de jovens tem intenção de comprar um tablet.

“Os rolezinhos sempre ocorreram com pessoas de todas as idades e classes. O jovem da nova classe média vai aos centros de consumo porque é um consumidor ávido por produtos de marcas. Só que com as redes sociais, o movimento ganhou destaque. Mas continua sendo um público consumidor forte”, adverte Meirelles.

Leonardo (E) e Jonathan gastam com roupas e sempre lanchamCarlo Wrede / Agência O Dia

Vendedor de um quiosque de óculos no Boulevard Rio Shopping, Alan dos Santos Alves, 21, conta que hoje em dia todas as camadas da sociedade podem consumir. “Mesmo que os produtos sejam caros, é possível parcelar em até 12 vezes sem juros no cartão de crédito, o que facilita muito. Qualquer um pode comprar”, explica.

Ele diz que ainda não houve rolezinho no shopping de Vila Isabel, mas que a segurança foi reforçada. “Existe um preconceito contra essas pessoas e elas fazem o rolezinho para protestar contra isso, mostrar que elas também têm o direito de passear no shopping. É possível ver em algumas lojas que,quando o consumidor está bem vestido, é melhor atendido que alguém de chinelo. Essa discriminação é muito comum. Mas acho que esses protestos deveriam ser feitos de forma mais sutil”, afirma o vendedor.

Jovens dizem gastar muito no shopping

Os amigos Leonardo Andrade, 18, e Jonathan Lima, 17 anos, moram no Grajaú e costumam passear no Shopping Boulevard Rio, em Vila Isabel, na Zona Norte da cidade. Eles contam que a maior parte dos seus gastos é feita no shopping, onde os estudantes vão ao cinema, compram roupas e fazem refeições.

“Gasto muito com roupas e acessórios, principalmente quando é de marca. Todo mês compro alguma coisa. E sempre como em lanchonetes como McDonald’s ou Burguer King”, conta Leonardo.

Para ele, o rolezinho não deveria ser proibido. “Acho que existe um preconceito com essas pessoas. O pessoal só quer passear, não tem por que proibir. Eu não me incomodo que jovens de outros bairros venham ao shopping da minha região, acho até bacana. E acredito que os lojistas não deveriam se incomodar também, pois essas pessoas vão consumir aqui”, diz ele.

Lojistas pedem ajuda ao governo

A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) enviou nesta segunda-feira ofício ao governo federal solicitando para debater a questão dos rolezinhos e pedir ajuda às autoridades para que os encontros não sejam mais realizados nos centros comerciais do país. O pedido foi enviado um dia após o Shopping Leblon fechar as portas para evitar a entrada de participantes de um rolezinho.

O presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, afirmou que se trata de uma questão nacional. Ele lembrou que a presidente recebeu os líderes do Movimento Passe Livre após os protestos de rua de 2013.

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