Movimento $urreal ganha página em outras capitais

São Paulo, Brasília e Belo Horizonte aderiram à iniciativa carioca e já somam 50 mil seguidores

Por O Dia

Rio - O Movimento $urreal ultrapassou as fronteiras do Rio e chegou a outros estados. São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais ganharam nas últimas semanas páginas na internet para consumidores reclamarem de preços abusivos praticados pelos estabelecimentos comerciais. Juntas, elas têm quase 50 mil seguidores que interagem criticando supermercados, bares e restaurantes que cobrariam valores exorbitantes.

O jornalista mineiro Flávio Peixe, 40 anos, que administra a BH $urreal, diz que importou a proposta da página carioca, a Rio $urreal, mostrada pelo DIA na semana passada. “Tomamos conhecimento da iniciativa e resolvemos reproduzir”, diz. Ontem, a fan page dele já tinha 27.128 seguidores.

Nildo almoça fora todo dia e sabe que paga caro%2C mas não vê o lucro das refeições melhorar os estabelecimentosJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Como exemplo, ele cita a fruta importada chamada Goji Berry, originária da Ásia, que é vendida em um mercado a R$ 299, o quilo, enquanto que em outro estabelecimento, o produto sai por R$ 169, diferença de 77%. “A fruta emagrece e combate o colesterol. Mas o custo tem reclamação constante”, afirma.

Ele conta que o mineiro adora confraternizar, mas não dá mais para comer um saco de pipoca na Praça do Papa, onde o produto custa R$ 15. A BH $urreal ganha 1.500 seguidores por dia, segundo Peixe. “Os preços estão subindo por aqui e a indignação é generalizada”, explica, em menção à página.

O programador Fernando Jimenez, 52, está começando a Sampa $urreal e promete lançar novidade que vai sacudir o segmento comercial da capital paulista. “Na próxima semana vou anexar à página aplicativo de avaliação de estabelecimentos comerciais. Usuários vão poder apontar os melhores e piores, segundo o preço praticado”, diz.

A página dele tem menos de cinco mil seguidores, mas a principal reclamação é sobre o preço de produtos nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas. “Uma lata do energético a R$ 16,50 e uma barra de chocolate a R$8 é realmente surreal”, aponta.

A página BoicotaSP com 63.823 seguidores já entrou até em polêmica. Manifesto deles foi publicado em jornal daquele estado rebatendo o chef Olivier Anquier, que, no mesmo periódico, reclamou da postura dos consumidores, por resolverem levar suas queixas para as redes sociais. “Nosso objetivo é tornar a cidade mais justa”, explica Danilo Corci.

Rafael trocou a Ilha do Governador pela Lapa devido ao trabalho%2C mas o custo do bairro preocupa José Pedro Monteiro / Agência O Dia

Ele conta que também lançará um aplicativo em fevereiro. “Atualmente, ganhamos de 100 a 150 seguidores por dia. Nossa fan page existe há um ano”, ressalta o publicitário, acrescentando que tem um portal em manutenção com cerca de 200 mil pessoas cadastradas.

Reclamação unânime entre cariocas

O arquiteto Rafael Melo 28, morador da Lapa, frequenta os bares locais três vezes por semana e considera os preços muito altos. “Não faz sentido pagar tão caro por uma qualidade de vida tão baixa. Se eu pudesse andar com o celular na mão às 3h, pagaria com prazer”, diz, acrescentando que uma garrafa de cerveja com 700 ml custa R$ 7,50.

Morador de Santa Cruz, o servidor público Nildo Machado, 30, afirma que o custo dos alimentos fora de casa está muito caro: “É um absurdo. Os preços sobem mas a infraestrutura dos lugares não melhora.”
No estado há outras páginas que denunciam preços abusivos. A ‘Somos Um Rio Surreal’ tem mais de 30 mil seguidores e informa no Facebook que a iniciativa tem caráter comunitário. “Achamos por bem manter a impessoalidade”, afirmam.

Na contramão das reclamações, outra página na rede social mostra o que há de mais barato pela cidade. A ‘Se Vira no Rio’ indica, por exemplo, o Papo Inicial Bar e Botequim, na Tijuca, onde o chope Heineken custa R$2,45, e o restaurante Liba, em Copacabana, onde o quibe custa R$ 3,50. Com acompanhamentos, o preço da refeição não chega a R$ 7.

Brasileiro sabe pouco sobre finanças

Apesar do recuo da inadimplência, que caiu 2% ano passado na comparação com 2012, o brasileiro ainda tem pouco conhecimento sobre as suas finanças, independentemente do estrato social. Oito em cada dez entrevistados não sabem como controlar as despesas, revela o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

A enquete mostra que apenas 18% dos pesquisados têm bom conhecimento sobre as finanças pessoais. Economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues destaca que esse resultado praticamente se repete para todos os níveis sociais. Em 84% dos domicílios com renda mensal de até R$1.330, o chefe da família tem parcial ou nenhum conhecimento sobre as finanças da casa. Essa fatia sobe para 86% no caso das famílias com rendimentos entre R$1.331 e R$ 3.140 e recua para 76% para aquelas com receita acima de R$ 3.141.

A pesquisa ouviu 650 pessoas e contou com profissionais da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), buscando mostrar a tendência das famílias brasileiras.

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