Por nara.boechat

Rio - A abertura dos desfiles de blocos na Avenida Rio Branco, na sexta-feira de Carnaval, dia 28 deste mês, ficará por conta dos aposentados e pensionistas do INSS. A já tradicional agremiação organizada pela Federação das Associações do Estado do Rio (Faaperj) vai dar a largada nos dias de folia a partir das 17h, no Centro. Com muita animação, o ‘Bloco dos Aposentados da Faaperj’ não deixará de lado o tom de protesto e indignação. O enredo deste ano será ‘O Velho Malandro Carioca’.

Apesar do clima do Carnaval, os aposentados não vão deixar de protestar por uma vida mais digna e melhores reajustes dos benefícios. Sob o reinado de Momo, eles vão lembrar que este ano a parcela da categoria que ganha acima do salário mínino teve mais uma vez somente a correção, considerando a reposição da inflação, sem aumento real. O reajuste foi de 5,56% em janeiro.

Muito empolgada com o desfile, a presidenta da federação, Yedda Gaspar, espera repetir o sucesso de anos anteriores na avenida. Segundo ela, vão desfilar e brincar no bloco de 800 a mil foliões. A concentração será a partir das 15h, na Candelária. O desfile começa às 17h e terminará na Cinelândia.

A bateria será composta pelo pessoal remanescente do bloco ‘Namorar eu sei’, da comunidade do Muquiço, em Deodoro. Cinquenta componentes sustentarão o ritmo no desfile para que os intérpretes Marrom e Bira da Rede possam levar a letra da marchinha composta por Chiquinho Tradição e pelo próprio Bira.

A presidenta da federação avisou que as camisas do bloco já estão à venda. Vão custar R$ 10, se compradas na sede da entidade, na Rua Riachuelo 373 A, no Centro. No dia do desfile, o preço será R$ 15 na Avenida Rio Branco.

Cante na avenida!

“O Velho Malandro Carioca”

Eu que dei tudo de mim/
Para o progresso do meu país/
Hoje velho e aposentado/
Vivo marginalizado/
Olha o que restou de mim/
Eu fui considerado/
Vagabundo desdentado/
Miserável é a ditadura que passei/
Um sonhador foi o que eu sempre me tornei/
Se liga no contexto/
Quinhentos anos da História do Brasil/
Se o Cabral o descobriu/
Só quem sabe é quem viu/
A roubalheira vem do tempo do Império/
O solo rico despertou a ambição/
É um caso muito sério/
Continua a corrupção

Refrão

E quem viver verá/
Nos anos dois mil/
Não haverá aposentados no Brasil.

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