Por tamyres.matos

Rio - O projeto de revitalização da Marina da Glória, um dos principais cartões postais do Rio, voltou à estaca zero. A BR Marinas, empresa que adquiriu de Eike Batista o direito de administrar a área, terá que formatar nova proposta e apresentar ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para mexer no pequeno porto. A companhia pretende transformar o local em espaço público.

A nova gestora comprou o empreendimento da MGX Serviços Náuticos, do ex-magnata, em negócio aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em setembro. O valor da transação é mantido em sigilo e, para finalizar o negócio, ainda faltam liberações de outros órgãos vinculados à Prefeitura do Rio, como a Superintendência de Patrimônio.

Ampliação da Marina ficou inacabada após a MGX paralisar as obras que fazia no porto privadoAlexandre Brum / Agência O Dia

Especialistas do setor imobiliário, que pediram anonimato, informaram que se o município não emitir a documentação em dois meses, a revitalização para os testes da Olimpíada, previstos para a metade de 2015, ficará comprometida. “O período é importante por receber delegações dos países participantes que checam os locais de estadia e provas”, disseram.

Eles também informaram que a Marina não teve suas operações diárias comprometidas devido à má fase do Grupo EBX porque o pequeno porto se sustenta, com faturamento anual de cerca de R$ 4 milhões. “A locação do espaço pelo Cirque du Soleil também beneficiou o caixa do porto”, explicaram, sem mencionar valores. A trupe iniciou o espetáculo Corteo em dezembro. 

Com a demora no trâmite, a Marina continua sob administração da MGX, embora a BR Marinas já esteja dentro do porto privado. O problema é que os gestores são pessoas ligadas ao Grupo EBX, pois os executivos da nova controladora só poderão entrar em cena quando o negócio estiver devidamente concluído.

Eike queria injetar R$150 milhões para modernizar o porto, construindo restaurantes, lojas e casa de shows. O repasse da concessão da Marina foi para eliminar mais um ativo que pesou na carteira da EBX, após algumas empresas da holding entrarem em período crítico. A má fase foi puxada principalmente pela ex-OGX Petróleo, atual Óleo e Gás Participações, que não encontrou óleo suficiente para bancar operações, remunerar acionistas e pagar credores.

Como as empresas do grupo estavam todas interligadas, a crise teve efeito cascata, ou seja, o problema de uma se tornou a dificuldade das demais causando inúmeros transtornos, principalmente de ordem financeira, comprometendo as companhias.

Hotel Glória é vendido a fundo de investimentos suíço

Outro ativo que Eike Batista conseguiu se desfazer foi o Hotel Glória, comprado no fim de semana pelo Grupo Acron que pretende reformar e deixar o local pronto para as Olimpíadas de 2016, de acordo com o diretor Peer Bender.

Ele não informou ao DIA o valor envolvido no negócio, mas fontes do setor estimam cerca de R$ 260 milhões, basicamente o que era pedido pelo ex-magnata desde que ofereceu o empreendimento.

Daniele teve sua bicicleta levada por dois assaltantes em frente ao Hotel Glória às 17 horas de domingo Alexandre Brum / Agência O Dia

“No momento, estamos discutindo com os potenciais grupos de hotelaria internacional. Mas vamos inaugurá-lo impreterivelmente no final de 2015”, disse Bender.

O Grupo Acron é um fundo de investimentos, tem uma filial em São Paulo, e a aquisição foi a primeira operação deles no Brasil. A matriz fica em Zurique, na Suíça.

Os novos proprietários querem oferecer 352 quartos, restaurantes, um teatro, lojas, um ginásio e uma piscina com vista para o Pão de Açúcar. “A aquisição é um investimento de longo prazo”, informaram por meio de nota.

Assaltada em frente ao Hotel Glória

A geóloga Daniele Genaro, 30 anos, mora na Rua do Russel, no Flamengo, há cinco anos. Ela foi assaltada no último domingo em frente ao Hotel Glória quando passava de bicicleta por volta das 17h. Depois de ser abordada por dois homens, perdeu a bike.

Daniele conta que o lugar é perigoso e não tem qualquer segurança. “Vejo policiais em outros pontos da rua, mas em frente do hotel não”, disse, acrescentando que o abandono do empreendimento favoreceu esse tipo de crime nas imediações.

“Espero que o lugar vire qualquer coisa, desde que não continue prejudicando os moradores”, frisou, antes de saber que a unidade fora vendida.

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