Por bferreira

Rio - O reajuste do piso regional será de 8%, caso os deputados estaduais aprovem a mensagem do governo do estado enviada, em regime de urgência, ontem à Assembleia Legislativa do Rio. O índice será retroativo ao mês de janeiro e as empregadas domésticas, na Faixa 2, por exemplo, vão passar a ganhar R$ 866,73.

O percentual será análisado pelos parlamentares na próxima semana, com possibilidade de inclusão de emendas. A ideia é aprovar a proposta até o dia 21. O projeto não agradou a classe trabalhadora, que reivindica 15,77%, e nem mesmo os patrões, que propuseram 6,5%. Para o presidente da Força Sindical, Francisco Dal Prá, está faltando responsabilidade por parte do governo. “Iniciamos uma negociação com representantes do estado, que ficaram de levar a nossa proposta ao governador, para ser avaliada, e depois nos retornar com uma posição. Entretanto, a mensagem foi enviada sem qualquer retorno para nós”, reclama Dal Prá.

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O sindicalista diz ainda que o índice proposto de 15,77% é plenamente possível de ser pago pelas empresas. “Pelas nossas contas, esse valor cobriria a alta aproximada de 10% da cesta básica e a inflação de 2013, que foi de 5,91%”, argumenta.

Pelo lado patronal, a Firjan divulgou nota técnica pedindo racionalidade no debate sobre o tema. Favorável a um aumento de 6,5%, Luís Césio Caetano, presidente da Representação Regional Leste Fluminense da Firjan, afirma que, de 2007 a 2013, o piso salarial subiu 89,9% no Rio, contra 78,4% do mínimo nacional.

Luís Caetano diz que, em 2012, o estado já registrava o maior salário médio do Brasil, 3% maior que o praticado em São Paulo, e 16% superior ao salário médio do país. “A geração de empregos em 2013, com o pior resultado em 13 anos, mostra que os maiores prejudicados foram os trabalhadores. Um piso alto demais atrapalha a criação de novos postos de trabalho e aumenta a informalidade”, explica.

Natam Schipper, diretor da Fecomércio, diz haverá uma reunião dos conselheiros da federação na segunda-feira para avaliar o índice.

Proposta considerada adequada

Líder do governo na Alerj, o deputado André Correa (PSD) avalia que a proposta do governo foi a mais adequada para o piso regional. “O índice de 8% valoriza a classe trabalhadora sem quebrar o empregador”, comenta o parlamentar.

Sobre as críticas dos representantes dos trabalhadores, Correa diz que o processo de negociação não se esgotou. “Na próxima semana os deputados farão propostas de emendas que podem elevar ou reduzir o índice”, afirmou.

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