Trabalhadores do Comperj decidem manter a greve

Mais de 15 mil operários, em assembleia, rejeitam proposta de 9% de reajuste

Por O Dia

Rio - A greve dos trabalhadores das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) continua. A decisão foi tomada ontem pela manhã em assembleia no Trevo da Reta, em Itaboraí, Região Metropolitana do Rio. Mais de 15 mil operários participaram da reunião.

Os empregados, no entanto, não decidiram qual o índice de aumento que será reivindicado, já que a categoria está dividida. Uma parte quer 15% e outra 11,5%. A paralisação completa hoje 17 dias e deve se manter pelo menos até quarta-feira, quando haverá nova assembleia.

A categoria rejeitou ontem a proposta de representantes do Ministério Público do Trabalho, de reajuste salarial de 9% e do vale-alimentação de R$ 400, que foi apresentada em audiência de conciliação na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT/RJ), na última quarta-feira. A legalidade da greve será julgada pelo tribunal em data ainda a ser marcada.

Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores do Plano da Construção, Montagem e Manutenção Industrial de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom) informou que durante a assembleia houve denúncias de que empresas estariam obrigando trabalhadores a voltar aos seus postos e até demitindo. A entidade quer negociar a volta dos dispensados.

O Sindicato das Empresas de Engenharia de Montagem Industrial (Sidemon-RJ), que ofereceu inicialmente reajuste de 7% e de R$ 360 de vale-alimentação, afirmou que espera a decisão sobre a legalidade da greve para se pronunciar sobre o movimento. 

Categoria dividida não se entende em relação ao valor do aumento

Um acordo está longe de ser definido, já que os próprios trabalhadores não se entendem. Enquanto o Sinticom afirmou, em nota, que a categoria reduziu a proposta do índice de reajuste de 15% para 11,5% mais R$ 460 de auxílio-alimentação, lideranças da Comissão de Empregados do Comperj, eleita por operários contrários à atuação do sindicato, diz que o movimento mantém a solicitação inicial de 15% e R$ 500 de vale-alimentação.

“Não houve aprovação de 11,5%. Isso foi até proposto por diretores do Sinticom na assembleia, mas a categoria em massa rejeitou. Isso mostra que este sindicato não defende os interesses dos trabalhadores e sim dos patrões”, relata uma das lideranças do movimento, que, temendo punição, se identificou apenas como Barrabás. A greve já deixou dois feridos a bala.

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