Por bferreira

Rio - Eles já são velhos conhecidos dos mochileiros, mas, com os altos preços praticados no setor hoteleiro do Rio, estão cativando outros clientes. Os albergues, hospedagens econômicas muito frequentadas por jovens, crescem em número e em variedade de hóspedes no mercado carioca, sendo opção cada vez mais procurada para quem foge dos valores caros cobrados por hotéis na Copa do Mundo. Oferecendo quartos coletivos ou privativo, eles privilegiam a interação e a troca de experiências entre os hóspedes. O custo é a privacidade menor.

Sócia do Manga Hostel%2C Nathália Tostes diz que a unidade já está quase lotada para o Mundial. No estabelecimento%2C as diárias variam de R%24 190 a R%24 590 nos meses dos jogosCarlo Wrede / Agência O Dia

Inaugurado em 2012 na Rua do Lavradio, o Manga Hostel abriu as reservas para o Mundial em setembro de 2013 e já está com quase 100% de ocupação. Há quartos coletivos e privativos, que têm diárias de R$ 190 (coletivos) a R$ 590 (suítes) no período da competição. “A gente aumentou o valor, mas queria que o preço continuasse acessível”, diz a sócia Nathália Tostes.

O custo é menor do que as tarifas cobradas em hotéis, segundo as cotações do site Trivago. A página de viagens apurou que a média das diárias no Rio em dias de jogos varia de R$ 588, nas quartas de final da competição, até R$ 838, na final do torneio.

Proprietário do Copa Hostel e diretor de integração da Federação Brasileira dos Albergues da Juventude, Luiz Geraldo dos Santos diz que os hostels não têm a mesma sanha de arrecadação dos hotéis. “É uma época de altíssima temporada, mas nada justifica o preço alto”, afirma. Em seu albergue, por exemplo, ele cobrará na Copa a mesma tarifa usada no Revéillon e no Carnaval, de R$ 180 (quarto coletivo) a R$ 780 (quarto privativo para três pessoas).

Ocupando um imóvel histórico na Rua Gomes Freire, o Caipihostel está com 70% das vagas preenchidas para o Mundial. No local, que só oferece quartos coletivos, a diária varia de R$ 250 a R$285 na Copa, em quartos com 12 camas e com estadia mínima de sete dias.

Frequentado tradicionalmente por jovens europeus, os albergues estão aumentado na cidade. “A perspectiva é de que eles continuem abrindo até a Olimpíada”, afirma Fernando Blower, vice-presidente de meios de hospedagem do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio).

Outro fator notado pelos profissionais da área é que, assim como a oferta, as pessoas que procuram esses estabelecimentos estão mais diversificadas. Além dos europeus, os brasileiros descobriram que podem se hospedar bem, pagando menos. “Fora da alta temporada, os brasileiros ocupam 65% das vagas”, afirma Santos.

Estatísticas sobre quantidade de empreendimentos estão defasadas

Apesar de ser um segmento em franca expansão, as estatísticas sobre os albergues ainda são muito incipientes no país. O Ministério do Turismo possui um cadastro nacional deste tipo de hospedagem nas 12 cidades-sede da Copa, mas a adesão é baixa. O órgão registra 71 hostels no Brasil, sendo 12 deles no Rio.

Segundo a Riotur, os albergues oferecem 821 leitos na cidade. Os números, no entanto, passam longe da realidade. Apenas o bairro de Copacabana tem ao menos 24 empreendimentos. “Hoje temos três grandes corredores de albergues: Ipanema e Copacabana, Botafogo e Lapa, e Santa Teresa”, diz Cássio Castro, proprietário do Caipihostel.

Para se ter ideia do tamanho da defasagem, no site Booking.com, um dos maiores buscadores de hospedagem do mundo, é possível encontrar 145 opções na cidade.

Vice-presidente de meios de hospedagem do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (Sindrio), Fernando Blower diz que vários albergues do município em situação irregular, dificultando o mapeamento por entidades ligadas ao turismo. “Muitos deles não têm CNPJ e não constituem uma empresa”, diz

Dono do Copa Hostel, Luiz Geraldo dos Santos reclama da concorrência desleal destes estabelecimentos. “Cumprimos uma severa legislação sanitária, enquanto há hostels em comunidades que não há nem saneamento”, explica.

“Queremos uma associação para regular e fortalecer o mercado”, afirma Castro.

Ministério faz ação por preço justo

Turistas podem ajudar a combater os preços abusivos de hotéis por meio da campanha “Jogo Limpo”, do Ministério do Turismo. Iniciada há 11 dias, a ação tem o objetivo de divulgar, nas redes sociais, serviços e produtos que cobram preços justo no setor hoteleiro, de transportes e de bares e restaurantes.

Segundo a pasta, o movimento é uma “reação aos preços exorbitantes cobrados, especialmente por alguns hotéis, companhias aéreas e restaurantes”.

Para participar da campanha colaborativa, os turistas que tiverem passado por boas experiências devem enviar sugestões marcadas com as hashtags #JogoLimpo e #TurismoConsciente pelo Facebook, Twitter, Google Plus e Instagram.

“Entendemos que os empresários que cobram valores adequados merecem visibilidade,” afirma o ministro do Turismo, Gastão Vieira. Na segunda etapa da ação, será lançada uma cartilha de consumo consciente com dicas de viagem e contratação de serviços turísticos.

Reportagem de Luisa Brasil

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