Por bferreira

Rio - A greve dos trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) está longe de terminar. Completando 23 dias de paralização hoje, o movimento decidiu ontem, em assembleia com a participação de mais de 12 mil pessoas, continuar de braços cruzados pelo menos até o próximo dia 10, quando a categoria volta a se reunir. Inclusive, os trabalhadores ameaçam fazer manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro do Rio, se até a data da próxima reunião a classe patronal não se apresentar para negociar. Também o Tribunal Regional do Trabalho (TRT/RJ) informou que ainda não tem data marcada para a Seção Especializada em Dissídios Coletivos (Sedic) julgar a legalidade ou não da greve.

Trabalhadores participaram da assembleia%2C em Itaboraí%2C que decidiu pela paralisação pelo menos até o dia 10 de marçoDivulgação

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Plano da Construção, Montagem a Manutenção de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom), Manuel Vaz, culpa o consórcio de empresas do Comperj pela continuidade da greve. “A falta de proposta do setor patronal fez com que a greve continuasse”, reclama Vaz.

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Sobre o índice de reajuste a categoria continua não se entendendo. Enquanto o</MC> Sinticom pede 11,5% mais R$ 460 de auxílio alimentação, lideranças da Comissão de Empregados do Comperj, eleita por operários contrários à atuação do sindicato, diz que o movimento mantém a solicitação inicial de 15% mais R$ 500 de vale-alimentação. Já os patrões ofereceram reajuste de 7% e R$ 360 de tíquete.

“O Sinticom insiste que a categoria quer 11,5%, quando este não é o desejo da maioria. Eles conduzem a assembleia de maneira confusa, não deixando os trabalhadores se manifestarem no carro de som”, relata uma das lideranças do movimento, que, temendo punição, se identifica como Barrabás.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Engenharia de Montagem e Manutenção Industrial do Estado do Rio (Sindemon) informa que a proposta do sindicato patronal é de 7% de índice de correção sobre os salários e sobre a cesta básica, portanto superior a inflação do período. O sindicato mantém o posicionamento de aguardar o julgamento do mérito da greve para negociar.

Sindicato acusa empresas de estarem demitindo trabalhadores

O Sinticom informou que durante a assembleia, a entidade recebeu denúncias de pressões para que a categoria volte ao trabalho. Com receio de serem dispensados, alguns trabalhadores atenderam ao chamado das empresas e “furam” a greve.

De acordo com os relatos que chegaram ao sindicato, os operários entram, assinam o ponto e ao fim do expediente são demitidos. O Sindemon (sindicato patronal) explicou, no entanto, que as acusações não teria fundamento porque os funcionários não estão tendo acesso à área do Comperj.

O prefeito de Itaboraí, Helil Cardozo (PMDB), foi procurado para comentar os transtornos provocados pela paralisação, com interrupções de vias e dois manifestantes baleados, mas preferiu não avaliar o movimento. Entretanto, ressaltou que não houve, por parte da Petrobras, investimentos suficientes na cidade para compensar os impactos causados pelo empreendimento.

“Estima-se que Itaboraí tenha cerca de 230 mil habitantes e que a população flutuante, por conta do Comperj, já chegue a 50 mil pessoas. O município tem apenas um hospital e não há rede privada na cidade. Ou seja, quando os mais de 30 mil trabalhadores do complexo precisam de emergência, é para lá que eles vão”, diz o prefeito.

Em nota, a Petrobras informou apenas que acompanha as negociações e espera um desfecho adequado para a greve. A empresa vai avaliar possíveis impactos após a normalização dos trabalhos para implementar medidas necessárias.

Autossuficiência em petróleo só em 2015

Presidenta da Petrobras, Graça Foster disse ontem que o país deve se tornar autossuficiente na produção de petróleo em 2015. Segundo ela, a autossuficiência em derivados deve ser alcançada em 2020, quando estarão operando todas as refinarias atualmente em construção.

“É. Sempre estaremos importando petróleo, porque produzimos, importamos e exportamos de acordo com [a capacidade das] nossas refinarias”, acrescentou Graça.

Paridade dos preços

Graças Foster disse ainda que a empresa continuará buscando a paridade dos preços dos combustíveis no mercado internacional e nacional. Nos últimos anos, a companhia não repassou a diferença de valores do diesel e da gasolina importados e acabou subsidiando os combustíveis no mercado interno. A situação se inverteu em 2013, com aumento da produção nacional e a correção dos preços nas bombas.

“O ano de 2014 não contempla a convergência total de preços. Somente se contempla a convergência nos próximos dois anos do Plano de Negócios da empresa. O endividamento precisa ser controlado e a geração de caixa tem de reagir”, afirmou Graça.

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