Por bferreira

Rio - A alta dos preços chegou às mesas de casa e do bar. O chope está mais caro e a cesta básica subiu 1,35% este mês, no Rio. Os principais itens da alimentação dos cariocas tiveram variação de mais de 10%, e podem pesar no orçamento. É o caso do feijão, que subiu 17% no acumulado dos últimos 12 meses, assim como a carne bovina (19%). O tomate e a batata tiveram variação de 24,9% e 10,66%, respectivamente, em fevereiro. A banana ficou mais barata, com queda de 7,75% no mês. Dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Na primeira semana de março, o preço do tomate subiu 43,88% e o da batata inglesa, 26,57%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FVG), que desenvolve a pesquisa, todos os aumentos estão relacionados à falta de chuvas no verão deste ano. “Esses alimentos sobem movidos por variações climáticas. Com a escassez de chuvas, houve perdas nas colheitas, levando ao aumento dos preços. No caso da carne bovina, houve falta de pasto e os pecuaristas tiveram que gastar mais com ração”, explica.

Gerente de um hortifruti no Centro do Rio, Fabiano Souza, 35 anos, confirma que os fornecedores aumentaram os preços, em função da seca. “Estamos comprando em Teresópolis e no Ceasa, para driblar a inflação. Mas, mesmo assim precisamos repassar as altas aos consumidores”, justifica.

O mensageiro Miguel Severino, 56, conta que percebe aumentos diários. Ele alega que comprava alface por menos de R$ 1 no mês passado, mas hoje paga R$ 1,49.

Segundo André Braz, a boa notícia é que essas altas não são permanentes e os valores devem baixar com a chegada do outono. “Por isso, esses itens não têm tanto impacto na inflação, já que os preços sobem, mas descem rapidamente. O que influencia são aumentos como o da passagem de ônibus, que não vai cair”, afirma.

Enquanto os preços continuam altos, o jeito é usar a criatividade e variar o cardápio. Consultor em varejo do Grupo AZO, Marco Quintarelli sugere substituir a carne bovina por frango, peixe, carne suína ou miúdos, por exemplo. Com relação aos legumes, verduras e frutas, o ideal é “aproveitar as sazonalidades e comprar os alimentos da época”.

Com chope mais caro, consumidor opta pela cerveja

Nem o chope escapou da elevação de preço. O encarecimento dos grãos, em função da falta de chuvas, e o reajuste salarial dos funcionários dos bares são fatores que contribuíram para o aumento do preço da bebida. Atualmente, é possível encontrar a caldereta de chope por até R$ 9 nos bares e restaurantes do Rio.

Marco Quintarelli explica que a correção nos preços é comum após o Carnaval, quando o mercado tenta se ajustar. “Os gastos com serviço subiram, em função do aumento do salário mínimo e do transporte. Isso tudo encarece os custos do comerciante, que tenta compensar na hora de repassar a despesa para o consumidor final”, argumenta o especialista.

Para fugir da inflação, os consumidores optam pela garrafa de 600ml de cerveja, que custa em média de R$ 8 a R$ 10, mas rende mais. É o caso do empresário Olívio Bulhões, de 68 anos. “Prefiro beber chope, mas me recuso a pagar R$ 7 em uma caldereta. Os preços estão subindo muito, é impossível acompanhar a inflação. Então compro uma garrafa de cerveja com um preço superior, mas aproveito mais”, conta ele.

A estudante de Comunicação Social Luiza Ramos, 25, também deixou de consumir chope, em função do preço. “Alguns estabelecimentos fazem promoções para compensar, mas no fim da noite o valor pesa bastante. É possível encontrar chope a R$ 5, mas em alguns lugares já está a R$ 9. Quando saio para beber com os amigos, geralmente optamos por bares que cobram esse preço pela garrafa, que dá para várias pessoas tomarem”, diz.

Segundo Quintarelli, a opção para economizar é comprar a cerveja no supermercado e beber em casa. “Se cada um levar uma garrafa, não sai caro”, sugere o economista.

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