Por bferreira

Rio - Com a inauguração da primeira fábrica no país, no dia 15 de abril, em Resende, a montadora japonesa Nissan dá um importante passo para consolidar sua marca no Brasil. Ao contrário do que ocorre em outros países, aqui a empresa concentra sua produção em poucos veículos, cinco no total.

Fábrica de Resende será uma das mais sustentáveis do mundoDivulgação

O presidente da Nissan do Brasil, François Dossa, disse ontem, em visita aos jornais O DIA e Brasil Econômico, que um dos objetivos da montadora é conquistar no país 3% do mercado nacional ainda este ano, 4% e 5% em 2015 e 2016, respectivamente. “Não pensamos efetivamente em 2014. Com o início das operações da fábrica em Resende, olhamos 20 anos à frente. O mercado brasileiro hoje está estabilizado, mas acreditamos que a economia vai crescer. E o mercado automotivo pode dobrar nos próximos dez anos”, avaliou o executivo.

O aumento no volume de vendas, segundo o presidente da Nissan, se dará em novos mercados, fora das grandes cidades brasileiras. “Há muito o que crescer fora do eixo Rio-São Paulo. Novas cidades do interior do país são potenciais. A região Nordeste é uma delas”, destacou.

A Nissan investiu R$ 2,6 bilhões na implantação da fábrica de Resende, para produzir os novos modelos dos veículos March e Versa, que não eram montados no Brasil. Tudo que era vendido aqui vinha importado do México. A nova fábrica terá capacidade para produzir 200 mil veículos por ano.

“Das dez montadoras que se instalam no país, certamente o investimento da Nissan é o maior. Porém, a fábrica traz uma mecanização própria, garantindo a qualidade do produto final. Apesar do investimento alto, teremos retorno em outras frentes, como um pós-venda com menos problema e até de marketing”, afirmou.

Junto com a inauguração da planta fabril, entra em ação o parque de fornecedores da Nissan, que já conta com cinco novas empresas, todas de origem japonesa. São eles Tachi-S, fabricante de bancos; Yorozu, fornecedora de suspensão; Kinugawa, borrachas de vedação; CalsonicKansei, cockpit; e Mitsui Steel, chaparia.

Mas François Dossa também aposta na nacionalização dos componentes dos veículos produzidos aqui. Segundo ele, até 2016, 80% dos componentes serão locais, muito por conta do Inovar-Auto, programa do governo de incentivo à inovação e produção, e da própria alta do dólar. “Boa parte da importação de peças se dará mais em itens eletrônicos”, acrescentou o executivo.

Polo automotivo da região motivou escolha da cidade

De acordo com François Dossa, a escolha de Resende ocorreu em função da proximidade do município com os portos do Rio e de Janeiro e de Itaguaí. Além disso, a própria Região Sul Fluminense possui hoje um polo automotivo no país, onde já se encontram as instalações da PSA Peugeot Citroën, Man Latin America (de caminhões da Volkswagen), Michelin e a Hyundai Máquinas Pesadas. A montadora inglesa Land Rover também anunciou que se instalará na região.

“Além da logística, é interessante estar com outras montadoras, por conta da mão de obra local e das fornecedoras especializadas”, diz o presidente da Nissan do Brasil.

Empresa investe em escola infantil

Além da geração de 2 mil empregos, quando a fábrica começar a operar em abril, a Nissan do Brasil também investe em melhorias na cidade de Resende. Por meio do seu instituto de responsabilidade social, a montadora está construindo escola de Educação Infantil para 170 crianças de até seis anos de idade.

“Temos uma preocupação muito grande com o crescimento da cidade, que aumentará muito a população nos próximos 5 anos. Investir em educação é uma contribuição importante”, afirma Dossa.

Segundo ele, Resende passa por uma transformação e são necessários mais investimentos em todos os setores da economia: comércio, serviços, hotelaria, restaurantes, hospitais. “É preciso ter mais professores e médicos. Só há um shopping na cidade”, acrescenta o executivo da Nissan.

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