Por bferreira

Rio - O calendário apertado para a negociação salarial do funcionalismo federal com o governo, em função das eleições, tem levado servidores às ruas para pressionar o Executivo a atender às reivindicações mais urgentes. Entre elas, o aumento salarial e a reestruturação do plano de cargos.
Polícia Federal e profissionais da Saúde já cruzam os braços e, em breve, funcionários administrativos das universidades federais e o corpo docente prometem suspender as atividades.

Ontem, integrantes da Polícia Federal promoveram um ato público em frente à sede da Superintendência Regional, na Praça Mauá. Escrivães, papiloscopistas e agentes fazem reuniões diárias no local, até amanhã.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal do Rio, André Vaz de Mello, a categoria pode parar durante a Copa do Mundo: “Será um caos, mas é a única forma encontrada para pressionar o governo. Ainda não temos uma estratégia para uma paralisação desse porte, que pode afetar todos os aeroportos, porque contamos com a boa vontade do governo em negociar com a categoria”. Segundo ele, os profissionais ganham em média R$ 7.400 e após 15 anos de carreira, R$ 11.800.

“É necessário dinamizar o plano de cargos e salários da PF. Somos 13 mil em todo o país. Um servidor chega aos 15 anos de carreira e vê o seu vencimento estagnado. Também temos que melhorar os processos de investigação. Somos uma categoria altamente especializada”, defendeu o líder.

Já o comando de greve da Saúde federal no Rio e a direção do Sindsprev-RJ se reuniram ontem à tarde com representantes do Ministério da Saúde. Antes do encontro, servidores do Instituto Nacional do Câncer (Inca) promoveram uma passeata no Centro. Segundo a diretora do sindicato, Cristiane Gerardo, a posição do ministério segue inflexível quanto à manutenção da jornada de 30 horas semanais.

Protestos em Brasília e assembleias nas regionais são as agendas de hoje

Policiais federais de vários estados estão hoje em Brasília para participar de uma passeata na Esplanada dos Ministérios. Será mais uma etapa da campanha promovida pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). Segundo pesquisa promovida pela entidade, 86,53% dos servidores se sentem infelizes na polícia.

Os servidores do Inca fazem nova assembleia hoje, às 10 horas. Estão convocados profissionais de todas as unidades no estado. A reunião será na Rua do Resende 128, no Centro do Rio.

A portaria que trata a carga horária de 30 horas semanais também foi avaliada pelo Sindsprev-RJ como “autoritária” ao conceder poderes excessivos aos diretores das unidades. São eles que, em última instância, definem o enquadramento de importante parte dos servidores nas 30 horas ou não. A Saúde federal ainda pede a suspensão do ponto eletrônico e reestruturação salarial.

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