Por bferreira

Rio - Os juros do crédito para pessoas físicas chegaram ao maior nível desde agosto do ano passado. Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que os juros de seis operações bancárias de empréstimo e financiamento subiram entre janeiro e fevereiro, ficando, em média, em 5,65% ao mês.
A alta reflete o aumento de 0,25% da Selic definido pelo Banco Central na reunião de 26 de fevereiro. Na ocasião, a taxa básica de juros chegou a 10,75% ao ano.

“O custo de captação de recursos aumentou por conta da Selic, elevando as demais taxas”, afirma Alex Agostini, economista chefe da Austing Rating.

A última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) indica que na próxima reunião, em 1º de abril, ocorrerá uma nova elevação, e a taxa poderá chegar 11%. Segundo o vice-presidente da Anefac, Miguel de Oliveira, as instituições financeiras embutiram essa tendência nas altas deste mês. “Os bancos já anteciparam essa alta”, afirma.

Por hora, o recado para o consumidor é: colocar o pé no freio e evitar se endividar. “Para este ano, a grande orientação é ter cautela na tomada de crédito, pois teremos muitos eventos, como a Copa, eleições e manifestações. Se a pessoa puder esperar, é melhor pegar o crédito em 2015”, alerta Agostini.

De acordo com a pesquisa, a linha mais atrativa é o crédito direto ao consumidor para o financiamento de automóveis. Nessa modalidade, a taxa média é de 1,75% ao mês. Os empréstimos em bancos têm taxa média de 3,3% mensais. Já os maiores juros encontrados estão nos cartões de crédito, que cobram em média 10,08% ao mês.No entanto, é preciso pesquisar. “A variação cobrada entre as instituições é muito grande”, alerta Miguel Oliveira.

Cartão de crédito teve a maior alta em fevereiro

A maior variação verificada pela Anefac foi nas taxas cobradas pelos cartões de crédito, que passaram de 9,37% ao mês, em janeiro, para 10,08%, em fevereiro. Segundo Miguel Oliveira, o aumento foi grande porque as operadoras não reajustavam as taxas desde outubro do ano passado. No ano, os juros chegam a 216,6%.

O economista chefe da Austin Rating, Alex Agostini, diz que a alta na demanda também permitiu que as operadoras fizessem o repasse. “O acesso ao crédito tem aumentado, e como o mercado é concentrado em duas empresas, elas podem cobrar juros altos”, afirma.

Reportagem de Luisa Brasil

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