Por fernanda.magalhaes

Rio - Faltando 90 dias para o início da Copa do Mundo, junta-se à expectativa da enxurrada de turistas que deve desembarcar no país a preocupação do impacto negativo nos preços, pressionando o Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que nos 12 meses encerrados em fevereiro, acumulou 5,68%. Passagens aéreas e diárias de hotéis devem sofrer os maiores aumentos, segundo o economista André Braz, professor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (bre/FGV). Mas há quem já esteja sentindo no bolso os efeitos de viver no centro do mundo futebolístico neste ano.

Advogado da Eletrobras, Arielton Dias dos Santos viaja constantemente a trabalho, especialmente para as capitais onde haverá jogos. E, segundo ele, os preços já estão acelerando, com destaque para o Rio de Janeiro. “Fazer reservas para o período da Copa é praticamente impossível, além dos preços estarem muito acima do usual. O Rio sedia eventos mundiais importantes e isso já infla os preços. Mas as diárias já estão muito acima dos valores praticados, por exemplo, durante eventos como a Rio +20 e a Jornada Mundial da Juventude”, diz o advogado.

“Paguei R$ 7,50 por uma porção pequena de batata frita em um fast food. Pago R$ 3,50 pelo mesmo produto em São Paulo”, reclamou a paulistana Nanci Faria Paiva, que esteve na capital fluminense na semana passada. Redatora de mídia social, ela diz que, sem exceção, os preços em restaurantes e quiosques estão muito acima do que ela pagou quando esteve no Rio no ano passado.

Em alguns casos é mais do que o dobro. Em São Paulo, onde ela almoça fora todos os dias, os preços também já subiram.

“São Paulo é uma cidade com muitos eventos de negócios e os preços já são elevados”, complementou Arielton, da Eletrobras, que mora em Brasília e nesta semana está em Pernambuco. “Por aqui não percebi aumentos significativos nos hotéis ou nos restaurantes”, afirmou. Entretanto, estudo feito durante a a Copa das Confederações pela Embratur, em meados do ano passado, indicou que as tarifas nas cidades-sede estarão até 376,4% mais caras durante a Copa do Mundo, em comparação aos preços regulares.

De acordo com o economista do Ibre/FGV, passagens aéreas e diárias de hotéis comprometem 0,98% do orçamento familiar segundo o IPCA/IBGE. “Para cada 1% de aumento médio de preços para esses serviços, o IPCA sofrerá impacto de 0,01 ponto porcentual. Se os preços aumentarem 10% em média, o aumento será de 0,10 ponto porcentual. "

A boa notícia é que tal impacto não será permanente. “A demanda será reduzida após a Copa e o recuo sustentará o retorno dos preços para patamar próximo ao praticado antes do evento”, disse.

Já os televisores devem ficar mais baratos, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apesar da expectativa de crescimento da demanda. De acordo com o economista Fabio Bentes, o histórico de redução no preço dos televisores e a perspectiva de estabilidade da taxa de câmbio deverão estimular a troca de aparelhos de TV.

“É natural que no trimestre que antecede a Copa a tendência de barateamento perca um pouco de força, em razão da encomenda de muitos produtos. Ainda assim, na média, os aparelhos devem ficar 3,6% mais baratos em relação ao mesmo trimestre de 2013 segundo nossas expectativas."

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