Por bferreira

Rio - Para o comércio, quanto mais quente, melhor. Com recordes de calor e clientes com salários reajustados, o volume de vendas nas lojas em janeiro superou expectativas, influenciado principalmente pelo consumo de produtos para aliviar a sensação térmica, que chegou a 50º. Os mais vendidos foram roupas de banho e ar-condicionado, além de bebidas, como cerveja e água de coco. O problema é que, com o aumento da procura, esses itens ficaram mais caros.

Moradora de Recife%2C Laísa Alves achou cara a água de coco (R%24 5)%2C mas não resistiu à bebida com o calorPaulo Araújo / Agência O Dia

Lojistas esperavam retração, em função dos juros elevados e das despesas de início do ano, mas foram surpreendidos pelos consumidores. No varejo, as vendas cresceram 6,9% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2013. Em relação a dezembro, a variação foi de 0,4%, segundo o IBGE. A expectativa agora é que o resultado seja ainda melhor em fevereiro.

“Quando o dia está bonito, as pessoas saem mais de casa e, assim, acabam consumindo mais também”, observa Aldo Gonçalves, presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio (CDL-Rio).

O consumo de artigos farmacêuticos, cosméticos e perfumaria foi o que mais cresceu no paralelo entre janeiro de 2013 e 2014, com 13,6%. A alta teria sido alavancada por itens como protetor solar e desodorante. “O verão estimula o uso desses produtos”, diz Aldo.

Artigos de uso pessoal vêm em seguida, com crescimento de 7,6%. O motivo está relacionado ao aumento no consumo de roupas de praia.

Vendedora de canga na orla de Copacabana, Chuá dos Santos, 59 anos, conta que o verão é a época do ano em que ela mais lucra. “A procura por cangas triplica e eu aproveito para guardar o dinheiro extra para outras estações”, diz a autônoma, que cobra R$ 20 pelo acessório no inverno e R$ 25 no verão.

O grupo de produtos alimentícios, bebidas e fumo, por sua vez, teve alta de 5,5% nas vendas, em relação a janeiro do ano passado. Porém, a inflação no preço das bebidas, principalmente, assustou os turistas.

Vendedor em São Paulo, Danilo Veríssimo, 20, reclamou do valor cobrado pelo chope. Em Bauru (SP), ele paga R$ 5. No Rio, pagou até R$ 9. “Nesse calor é impossível não beber um chope, mesmo sendo mais caro. No verão eu aumento muito meu consumo de bebidas geladas, como chope, refrigerante e água de coco”, explica.

Moradora de Recife, a estudante Laísa Alves, 19, se impressionou com o preço da água de coco, a R$ 5. “Mesmo assim, tenho bebido em razão do calor”, afirma.

Fevereiro bom precede ano incerto

Para Aldo Gonçalves, o mês de fevereiro também deve apresentar um resultado positivo para o comércio. No entanto, há incerteza entre os lojistas para o resto do ano.

“Por enquanto, os índices estão bons. Mas os comerciantes estão receosos porque a inflação está renitente. Isso tem grande influência no comércio, já que com o aumento dos preços, o consumidor dá preferência aos itens essenciais e as compras são reduzidas. Além disso, este ano tem muitos feriados. A Copa do Mundo favorece uma parcela dos comerciantes, mas de um modo geral o setor não se beneficia muito, pois o evento tira o foco do consumo, assim como as eleições”, avalia Aldo.

A expectativa dos lojistas está de acordo com a previsão da Tendências Consultoria Integrada, que aponta para uma desaceleração ao longo do ano, devido ao baixo crescimento de renda e inflação resistente. A instituição espera até o fim de 2014 uma leve recuperação do crédito livre, mas prevê que ainda serão sentidos os efeitos de uma política monetária contracionista.

Turismo fica mais caro com a Copa

Passagens aéreas e diárias de hotéis devem sofrer os maiores aumentos nas cidades que vão sediar os jogos do Mundial, segundo o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). De acordo com ele, esses itens comprometem hoje 0,98% do orçamento familiar e a tendência é que esse percentual aumente.

No entanto, há quem já esteja sentindo no bolso os efeitos da Copa. Advogado da Eletrobras, Arielton Dias dos Santos viaja constantemente a trabalho, especialmente para as capitais onde haverá jogos. E, segundo ele, os preços já estão acelerando, com destaque para o Rio.

“Fazer reservas para o período da Copa é praticamente impossível e os preços estão muito acima do usual. As diárias no Rio estão muito mais caras que na época de eventos como a Rio+20 e a Jornada Mundial da Juventude”, critica.

A boa notícia é que, segundo Braz, após o Mundial os preços vão recuar para patamar próximo ao cobrado antes do evento.

Você pode gostar