Por bferreira

Rio - A busca por crédito ficou mais fraca no país. Dados divulgados ontem pelo Serasa Experian mostram que, na comparação com o mês de janeiro, a demanda por crédito caiu 9,6%. Segundo economistas, dois fatores principais influenciaram o recuo: a subida dos juros e a alta inadimplência no país. Desde o ano passado, o Banco Central tem elevado progressivamente a taxa básica de juros , a Selic, o que causou impacto nas principais linhas de crédito oferecidas por bancos e financeiras.

A auxiliar de serviços gerais Ilana da Silva diz que as finanças estão apertadas%3A “Guardar dinheiro para emergências está complicado”Fernando Souza / Agência O Dia

Atualmente, a Selic está fixada em 10,75%, mas deve chegar a 11% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, em abril. “A política monetária demora para chegar até o consumidor, e é agora que a intenção do governo está fazendo efeito. As pessoas estão vendo o crediário mais caro e reduzindo o consumo”, explica Alexandre Espírito Santo, economista da Simplific Pavarini e professor de economia do Ibmec-RJ .

A alta taxa da inadimplência no país também é lembrada pelos economistas. Segundo a última medição do Banco Central, divulgada em janeiro, a inadimplência atinge 6,7% dos endividados. “Esse fator pesa principalmente nas classes de renda mais baixa, que não têm uma aplicação ou reserva”, afirma o economista da Serasa Experian Luiz Rabi.

A auxiliar de serviços gerais Ilana Fabiane Silva, de 39 anos, afirma que está difícil honrar as dívidas que assumiu no cartão de crédito. Ganhando pouco mais de um salário mínimo, ela tem dificuldade de poupar: “Está muito difícil comprar o básico para dentro de casa. Também é muito complicado guardar dinheiro para emergências. Sempre fico na conta certa de pagar tudo e comprar comida, afirma.”

Segundo a Serasa, a maior queda na busca por crédito verificada foi na classe mais baixa, com renda mensal de até R$ 500 reais. Nesta faixa, o recuo foi de 12%. Já nas famílias mais ricas, o recuo foi menor. Entre as que têm renda entre R$ 5 mil e R$ 10 mil reais, a diminuição foi de 3%. Para economistas, a previsão é de que a busca por financiamentos continue reduzida ao longo do ano. “Os juros não devem cair antes de 12 meses e os bancos estão criteriosos. Nesse cenário não dá para imaginar expansão”, afirma Rabi.

“O salário vai embora todo mês”

Pesquisa da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), indica que 34% dos entrevistados acha que está mais difícil manter as contas em dia em relação a 2013.

O queestionário, divulgado ontem, indica ainda que apenas um terço dos consumidores consegue guardar dinheiro no fim do mês.

A dona de casa Elaine da Silva Minas, de 49 anos, faz parte deste grupo. Há cinco anos, ela e o marido conseguiam ter uma reserva, o que não acontece mais. “Temos dificuldade em sustentar a casa. Tudo está muito caro e o salário vai embora todo mês”, afirma.

Já em relação ao crédito, a pesquisa indica que 80% dos entrevistados acreditam que está mais fácil conseguir acesso a empréstimos e financiamentos.

“Como a liberação de dinheiro está mais rigorosa, entendemos que as pessoas estão sabendo melhor quais são seus limites ao procurar o crédito”, afirma o Diretor de Marketing, Inovação e Sustentabilidade da Boa Vista Serviços, Fernando Cosenza.

Reportagem de Luisa Brasil

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