Salários do Comperj são pagos

Após dois dias de protestos violentos, empresas aceitam não descontar os dias de greve

Por O Dia

Rio - As empresas que atuam na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, suspenderam o expediente de ontem na unidade, temendo novos atos violentos no interior do complexo. Ontem, o salário de fevereiro e a Participação nos Lucros e Resultados de 2013 foram depositados na conta dos trabalhadores e os patrões voltaram atrás na cobrança de um terço dos dias de greve parados, que seriam descontados em folha. A expectativa dos empresários é de que na segunda-feira a categoria volte ao trabalho, após 40 dias de paralisação.

Na quarta-feira e quinta-feira, 14 veículos foram incendiados e depredados e instalações danificadas por 3,5 mil operários. Eles protestavam contra o atraso no pagamento do salário e a informação de que oito dias seriam debitados em dez parcelas por mês.

MAIS UMA VITÓRIA

Os operários conquistaram mais uma vitória com os patrões. Os consórcios haviam combinado com o sindicato da categoria a compensação de 8,3 dias parados com oito sábados. No entanto, os funcionários trabalharão apenas a metade. “Como no fim de semana nós temos direito a 100% de hora extra, reivindicamos que um sábado trabalhado correspondesse a dois dias úteis parados. Se este acordo não for respeitado a categoria voltará a parar”, afirma Miguel Frunzen, um dos líderes do movimento de trabalhadores.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Engenharia de Montagem Industrial (Sidemon) confirmou que as horas de trabalho referentes a um terço dos dias parados serão compensados apenas em quatro sábados. Informou ainda que o dia de ontem foi dado para recebimento dos pagamentos.

Dos cerca de mil ônibus que levam operários para o Comperj, somente 20 circularam ontem, levando apenas funcionários da empresa Toshiba para o complexo. Quase não havia trabalhador no Comperj, mas nos caixas eletrônicos dos bancos e casas lotéricas muitos deles foram sacar o salário e pagar contas.

“Fiquei das 6h às 8h30 esperando o ônibus da empresa passar. Depois isso acabei desistindo. Decidi vir para o banco conferir se meu salário foi depositado. Como saiu, saquei uma parte para mim e outra enviei para minha família no Pará”, afirma soldador do consórcio CPE, que não quis se identificar.

“Ainda bem que o salário saiu, já que a pouca reserva de dinheiro que tinha estava no fim”, comemora um caldeireiro de 25 anos, que também preferiu o anonimato temendo represálias.

Mais de 40 dias de greve com violentos protestos

Após 40 dias de paralisação, a greve dos trabalhadores do Comperj terminou na segunda -feira, dia 17, com a aprovação em assembleia de contraproposta dos patrões de um aumento de 9%. Entretanto, a quarta e a quinta-feira foram marcadas por protestos com atos de vandalismo no interior do complexo. PMs do Batalhão de Choque foram chamados e usaram bombas de efeito moral e spray de pimenta para conter os ânimos. Mesmo assim, o resultado das manifestações foi de três ônibus e três carros incendiados, oito veículos depredados e instalações destruídas. Além do reajuste, os operários tiveram aumento do vale-alimentação para R$ 410, um vale extra no mesmo valor, pagamento da segunda parcela do PLR de 2013, cesta natalina de R$ 205, para quem ganha salário basede até R$ 9 mil, abono integral dos dias 24 e 31 de dezembro e inclusão de 17 novas funções na tabela dos pisos da Convenção Coletiva de Trabalho.

Durante a greve, um carro de som do sindicato da categoria e um ônibus foram queimados, dois manisfestantes baleados e fechamento de rodovia. O movimento queria 15% de reajuste e R$ 500 de refeição. Depois reduziram para 11,5% e R$ 460. Já as empresas ofereciam 7% e R$ 360 de tíquete.

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