Por thiago.antunes

Rio - O pão francês vai ficar até 8% mais caro a partir do próximo mês. Em maio os trabalhadores do setor de panificação no Rio recebem o dissídio coletivo, que aumenta os gastos do patrão com mão de obra. Além disso, o preço do trigo continua alto, o que colabora para a necessidade de reajuste.

Vice-presidente do Sindicato de Panificação do Município do Rio, Dúlio Mota conta que a questão do trigo ainda não havia influenciado tanto o preço do produto, já que a farinha representa apenas de 20% a 30% do valor do pão. Porém, o reajuste salarial é um fator de maior peso para o empregador. 

“O dissídio gera um aumento de cerca de 10% na remuneração dos trabalhadores da categoria. Com isso, é provável que as padarias tenham que subir o preço em cerca de 7% ou 8%”, avalia. Atualmente, o quilo do pão francês custa de R$ 10 a R$ 13 no Rio. Considerando um reajuste de 8%, os valores subiriam, respectivamente, para R$ 10,80 e R$ 14.

Dissídio coletivo em maio deve aumentar em 10% os salários dos funcionários do setor%2C o que gera mais gastos para os empresáriosMarcos Cruz / Agência O Dia

Com relação à possibilidade de alta na energia elétrica, Dúlio afirma que é um fator que pode influenciar no futuro. “Mas por enquanto, ainda estamos sentindo os efeitos positivos da redução do ano passado”, diz.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip), José Batista, não há indícios de que o trigo fique mais barato tão cedo. “O cenário de hoje é o mesmo do ano passado.

A Argentina, maior parceira comercial do Brasil no fornecimento do trigo para complementar a produção nacional, está exportando menos. O país está se abastecendo nos Estados Unidos e Canadá. Mas com o câmbio estabilizado, isso não afeta tanto o preço do pão”, afirma.

Consumidores reclamam de preços mais altos

A funcionária Elodina Costa, 40 anos, compra quatro pães por dia e diz já ter percebido um aumento desde o ano passado. “Hoje, pago R$ 3, sendo que no ano passado comprava por R$ 1. É um abuso pagar tãocaro por um item básico na mesa do brasileiro”, reclama.

O gaúcho Marcos Roberto da Silva achou o pão muito caro no Rio%2C em comparação a Porto AlegreMarcos Cruz / Agência O Dia

Já o casal de carteiros, Marcos Roberto da Silva, 44, e Idianara Rigo, 30, mora em Porto Alegre e se assustou com o preço do pão francês no Rio. “Compro na minha cidade oito unidades por R$ 2,50. Aqui, estou pagando o dobro, cerca de R$ 5, pelo mesmo peso. Ainda bem que só estamos aqui em viagem”, conta Marcos.

Dúlio Mota explica que o preço do pão é formado por diversos fatores, como mão de obra, matéria-prima, valor do aluguel, entre outros. “Os impostos são muito altos. O reajuste teria que acontecer em algum momento, é inevitável. Mas quem regula o preço é o cliente”, lembra o empresário.

Além do pão, café e derivados de leite pesam na primeira refeição do dia

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas, que atingiu alta de 1,92% em março e deteve 0,47 ponto percentual de impacto, foi sozinho o responsável por 51% do IPCA do mês. No Rio de Janeiro, esse grupo teve um aumento de 3,26%, um dos mais altos do país. Ainda no mês passado, o pão francês ficou 0,68% mais caro. No ano, esse aumento foi de 2,7%. E no acumulado de 12 meses, o item teve alta de 13,82%.

O pão de forma também ficou mais caro, desde o ano passado, conforme o IPCA. A elevação sofrida pelo produto foi de 1,09% em março, 3,03% no ano e 7,23% em 12 meses.
O preço da farinha de trigo, por sua vez, subiu 1,07% no mês, 0,78% desde janeiro e 17,10% no acumulado.

Junto com o pão, todo o café da manhã ficou mais caro. O cafezinho teve alta de 3,32% no mês passado e 7,75 no ano. Em 12 meses, o aumento foi de 17,87%. Iogurte e bebidas lácteas também também tiveram elevação de 3,12% no mês, 5,39% no ano e 13,39% em 12 meses.

O leite longa vida subiu de preço em março (5,17%), mas havia tido queda de 3,65% em fevereiro. Por isso, no ano, o item acumula uma variação de -4,36%. No entanto, desde março do ano passado, o preço subiu consideravelmente: 9,33%, segundo o índice.

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