Por fernanda.magalhaes

São Paulo - A União Europeia cobrou rapidez na apuração sobre a suspeita de que um animal adquirido pela JBS-Friboi portava uma variante atípica da doença da vaca louca. O bloco, terceiro maior comprador da carne brasileira no exterior, pediu também esclarecimentos sobre a idade do animal que, segundo o Ministério da Agricultura, tinha 12 anos – em média, o abate ocorre aos três anos, mas a utilização de animais bem mais velhos não é incomum no setor.

“A Comissão Europeia [órgão executivo da UE] convida o Brasil realizar o mais rápido possível os testes de confirmação neste animal suspeito e determinar a idade dele com precisão”, informou o bloco, em nota enviada à reportagem.

O bovino possivelmente doente foi encontrado, em 19 de março, no meio de um rebanho mandado para abate num frigorífico da JBS em Mato Grosso. Ele foi sacrificado antes do abate, e não chegou ao consumidor final.

De acordo com o ministério da Agricultura, o animal tinha 12 anos de idade – em média o abate de bois ocorre aos três anos. É normal, entretanto, que alguns animais mais velhos acabem sendo incluídos nos rebanhos, segundo o presidente da Associação Brasileira de Exportação de Carne Bovina (Abiec), Antônio Jorge Camardelli.

Como o animal foi encontrado caído, fiscais decidiram sacrificá-lo e enviar amostras para um laboratório brasileiro. O teste identificou marcação priônica, uma deficiência que pode ser entendida como indício de doença da vaca louca.

O material, então, foi enviado ao um laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), localizado na Inglaterra, responsável por fazer a confirmação ou descarte do caso. A expectativa do setor é que o resultado que confirmará ou descartará a suspeita saia até a próxima sexta-feira.

A UE informou que manterá suas regras de importação de produtos bovinos brasileiros “em conformidade com futuras recomendações da OIE”.

Em 2013, o bloco importou US$ 860 milhões em carne bovina, de acordo com a Abiec, e está atrás apenas de Rússia e Hong Kong. O valor equivale a 13% de tudo o que País exportou.

Associação diz que não há impacto para exportação

A suspeita de vaca louca não prejudicou as exportações de carnes da JBS-Friboi até o momento, segundo a associação do setor.

“Nenhuma encomenda foi suspensa, não tivemos nenhum comentário”, disse o presidente da Abiecs ao iG nesta quarta-feira.

Camardelli afirmou acreditar também que não há condições para o Brasil sofrer qualquer sanção internacional e que o caso de Mato Grosso está "totalmente dentro das regras vigentes."

O presidente da JBS Mercosul, Miguel Gularte, também descartou que a suspeita possa causar impacto nas exportações ou no consumo de carne pelo mercado interno.

Procurados, a empresa e o Ministério da Agricultura não comentaram.

Com informações de Vitor Sorano e Bárbara Ladeia

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