Restaurantes 'padrão Fifa' são 20 em cada 100 no Rio

Mas 17 ficaram pendentes no quesito condições sanitárias, segundo a Agência de Vigilância

Por O Dia

Rio - Os turistas estrangeiros que vierem para a Copa do Mundo e consumidores em geral terão como escolher restaurantes, bares, lanchonetes e hotéis que cumprem exigências de higiene e cuidados sanitários. Segundo levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 20 em cada cem estabelecimentos no Rio receberam conceito “A” por prestarem serviços que seguem rigorosamente a legislação, no estilo ‘padrão Fifa’. Os locais vão receber selo indicativo de classificação.

Luis Moacir (à esquerda) acredita que ficará mais seguro com ação da Anvisa para classificar estabelecimentos. Já%2C Fabiano Hobi se preocupa com a limpeza Agência O Dia

A pesquisa faz parte do primeiro ciclo do projeto ‘Categorização dos Estabelecimentos de Alimentação’ divulgado ontem pela Anvisa. No Rio, 243 empreendimentos que estão fora de aeroportos foram avaliados. Os que ficaram enquadrados no conceito “A” (20,2%) cometeram poucas falhas e de menor importância. A agência considera que eles cumpriram itens que melhor qualificam os serviços.

O resultado mostra que 39,1% tiveram conceito “B”, por terem cometido, segundo a Anvisa, falhas consideradas de baixo ou médio impacto. Já 27,7% ficaram com grau “C”, que apresentaram maior quantidade de falhas, mas ainda no limite aceitável do ponto de vista sanitário.

O levantamento foi feito em 2.172 bares, restaurantes e hotéis em todo o país, inclusive os localizados em aeroportos. O diretor de Gestão da Anvisa, Ivo Kukaresky, garantiu que todos os estabelecimentos que se enquadram nas três primeiras categorias podem ser frequentados com segurança. Ele lembrou que a avaliação feita pela agência não está relacionada a preço cobrado ou à qualidade do sabor do alimento. “Avaliamos apenas a segurança sanitária”, informou.

Somente 17% ficaram com classificação “pendente” por apresentar a quantidade de problemas inaceitáveis para a categorização.

“A ideia não é punir os estabelecimentos que estivessem eventualmente inadequados, mas prepará-los, torná-los mais adequados”, disse.

A Anvisa espera que com a inspeção os estabelecimentos corrijam as falhas e possam conseguir selo que indique a qualidade do serviço.

“A gente espera encontrar um resultado melhor para que o projeto atinja o objetivo, que é o de movimentar o setor”, disse a gerente-geral de Alimentos da agência, Denise Resende.

Cidades-sede são alvos do projeto

O primeiro ciclo da Categorização dos Estabelecimentos de Alimentação foi feito entre estabelecimentos localizados em 11 das 12 cidades-sede da Copa do Mundo. Salvador é a única que não participou da inspeção feita pela Anvisa. Outros 13 municípios considerados de grande potencial turístico, como Búzios, na Região dos Lagos do Rio, Gramado (RS) e Olinda (PE) também participaram da pesquisa.

Em todo o país, 40% dos estabelecimentos de alimentação ficaram com conceito “B”, localizados em 11 das 12 cidades-sede do Mundial.

De acordo com o levantamento da Anvisa, 24% dos estabelecimentos foram classificados na categoria C e 19% na Categoria A, enquanto 15% estão pendentes por terem alcançado baixa pontuação ou por terem descumprido itens considerados eliminatórios.

Os selos de classificação serão afixados nos estabelecimentos na segunda fase do projeto de categorização. A expectativa é que as cidades finalizem essa nova etapa em maio. Segundo a agência reguladora, as notas individuais dos bares, restaurantes e lanchonetes serão divulgadas também até o no fim de maio.

Em Búzios, a Anvisa analisou as condições de 39 restaurantes, bares e lanchonetes. No total, 14,54% tiveram conceito “A”; 59,02% ficaram com avaliação “B”; 23,67% com “C”; e apenas 2,4% com situação pendente.

Pesquisa é bem recebida

Gerentes de estabelecimentos e clientes que frequentam bares e restaurantes do Rio se mostraram bastante favoráveis à avaliação da Anvisa. O gerente do Bar Devassa, na Barra da Tijuca, Rogério Santana, por exemplo, informou que a agência vistoriou mais de 500 tópicos, em setores de alimentação, recepção e armazenagem. “Ficamos felizes em perceber que fomos bem avaliados”, afirmou ele.

No Petisco da Vila, em Vila Isabel, o gerente Cláudio Cavalcanti lembrou que os técnicos chegaram de surpresa e foram bastante rígidos. “Achamos que essas operações são corretas. Os bares precisam seguir normas”, explicou.

O economista Wilton Porto, 34 anos, que mora em Campo Grande, sempre observa o ambiente e o estado de limpeza dos bares e restaurantes antes de fazer algum pedido. Ele garante que quando vê que o estabelecimento não está limpo, vai embora.

“Por isso, acho que a ação da Anvisa é muito correta. Nós, brasileiros, e os turistas precisamos”, diz.

Fabiano Hobi, 33, analista de investimentos, que mora em Vila Isabel, também se preocupa com a limpeza. Já Luis Moacir, 36, morador da Ilha do Governador, acredita que ficará mais seguro com a ação da Anvisa, principalmente em poder saber quais foram os locais com melhor avaliação.

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