Por helio.almeida

Rio - As despesas da Petrobras com as demissões dos 8.298 empregados que aderiram ao Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário PIDV) devem chegar a R$2,4 bilhões, conforme provisão do demonstrativo contábil do primeiro trimestre da companhia. O desembolso vai gerar impacto negativo no resultado da empresa entre janeiro e março de R$1,6 bilhão. A estatal, no entanto, espera compensar o gasto em nove meses após a saída dos funcionários.

A petroleira quer reduzir os custos com pessoal em R$ 13 bilhões até 2018. O total de empregados inscritos representa 12,4% do efetivo da companhia, e mais da metade vai se desligar da empresa neste ano.

O PIDV pagará de R$ 180 mil a um teto de R$ 600 mil a funcionários que aceitaram a oferta. Mas o limite pode ser ultrapassado por profissionais que ficarem sete meses no processo de transição previsto pelo programa. De acordo com o plano, os funcionários serão classificados em cinco faixas, segundo a área de atuação. Apenas os classificados nas faixas A (alta complexidade e alta importância), com prazo de transição de até 24 meses; B (baixa complexidade e alta importância), 12 meses; e E (continuidade operacional), prazo que pode se estender por três anos, receberão benefícios acima do teto.

Aprovado pela Diretoria Executiva da Petrobras, o programa de demissões é voltado a empregados aposentados pelo INSS que continuam trabalhando e os que têm tempo e idade para para requerer o benefício previdenciário, mas ainda não deram entrada no processo de aposentadoria.

A iniciativa procurou também os que podem se desligar da companhia a qualquer momento, por terem idade igual ou superior a 55 anos até o dia 31 de março, quando terminou o prazo de adesão ao PIDV.

Conforme nota divulgada ontem pela estatal, o projeto foi desenvolvido de forma a adequar o efetivo da companhia — cerca de 85 mil funcionários — aos desafios do Plano de Negócios e Gestão 2014-2018 e às metas do Procop — Programa de Otimização dos Custos Operacionais.

A proposta visa conciliar “a necessária retenção do conhecimento, indispensável ao crescimento e à continuidade operacional, segura e sustentável da companhia”

Sede da Petrobras no Rio de JaneiroReprodução Internet

Entidade critica perda de quadro técnico

Com a implantação do Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV) na Petrobras, a preocupação agora é com a perda dos quadros técnicos e, consequentemente, a memória agregada desses trabalhadores, e como se dará a reposição de novos colaboradores, questiona o diretor de Comunicação da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Ronaldo Tedesco.

Segundo ele, o programa atinge principalmente os trabalhadores mais velhos e, portanto, com mais experiência, mas que já tinham muita vontade de sair da empresa.

“Vão ter que repor esse pessoal que vai sair, mas como fica a memória técnica? Isso é um valor agregado que não se contabiliza. Além disso, uma qualificação profissional leva de dois a cinco anos”, explica Tedesco. De acordo com ele, a companhia não tem uma política de renovação de quadros. “Não há uma sistemática, um plano para fazer essa renovação”, critica o diretor da entidade.

Em fevereiro passado, a Aepet encaminhou um documento à direção da estatal questionando procedimentos, que estaria subutilizado a engenharia básica em detrimentos de contratos com empresas como a EPC (Engineering, Procurement and Construction), formadas por consórcios de fora, que muitas vezes não possuem quadros técnicos especializados. A Petrobras informou que a companhia exercita outros modelos de gerenciamento, adaptados às disponibilidades do mercado.

Concurso para evitar a terceirização

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) cobrou a necessidade de concursos públicos para repor os trabalhadores que deixarão a estatal, evitando a contratação de terceirizados. Segundo Paulo César Martan, diretor da entidade, os representantes dos trabalhadores estão preocupados com a lacuna que será criada com a saída dos mais de oito mil funcionários.

“Vamos cobrar a reposição do efetivo por meio de concurso público, para que não ocorra qualquer tipo de terceirização. Pelo programa, serão formados grupos que deixarão a empresa em determinados períodos em até 36 meses. Essas saídas programadas devem estar relacionadas ao preenchimento das vagas”, aponta o diretor.

A diretoria-executiva da Petrobras aprovou na sexta-feira a contratação de 23 embarcações de apoio às atividades marítimas. A medida faz parte da sexta rodada do 3º Programa de Renovação da Frota de Embarcações de Apoio Marítimo (Prorefam).

As contratações somam investimento total de aproximadamente US$ 1,7 bilhão (R$ 3,8 bilhões), com geração de cerca de sete mil empregos diretos no país em quatro anos.

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