Profissionais da Educação das redes estadual e municipal decidem por greve

Ao todo 1,6 milhão de alunos ficarão sem aulas a partir de segunda-feira

Por O Dia

Rio - Profissionais da Educação estadual do Rio e da Prefeitura do Rio vão entrar em greve unificada por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, deixando sem aulas 1,6 milhão de alunos das duas redes. A decisão foi aprovada ontem, após assembleia que reuniu 500 pessoas no Clube Municipal, na Tijuca. A categoria ficou dividida entre iniciar a greve hoje ou a partir do dia 12.

Os profissionais reivindicam aumento salarial unificado de 20% para os servidores da Educação e também para os aposentados. Além de plano de carreira que contemple as duas redes de ensino.

Professores entram em greve a partir de segunda-feiraAndré Mourão / Agência O Dia

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) do Rio também defende o fim do sistema de meritocracia na avaliação dos docentes e autonomia pedagógica.

Outros temas tratados são o fim da privatização da educação e do repasse das verbas para empresas, bancos, Organizações Sociais e fundações. Término da terceirização e o cumprimento de 1/3 de planejamento extraclasse. Os servidores administrativos também lutam pela carga horária de 30 horas, tema que o Executivo afirma não ter base legal.

Os servidores querem eleição direta para diretores; equiparação salarial entre Professor de Educação Infantil, PI e PII e reconhecimento do cargo de cozinheira escolar.

Ganhos de 2013

A greve da rede estadual no ano passado não teve a mesma representatividade da esfera municipal, que parou por 79 dias. Os servidores da Educação do Município do Rio ganharam aumento de 8% em outubro, além dos 6,75% que foram pagos a todo o funcionalismo da prefeitura em agosto. Houve equiparação na hora-aula entre Professores 2 e da Educação Infantil com Professores 1, entre outros medidas.

Audiência amanhã

A Secretaria Municipal de Educação afirmou que vai se pronunciar sobre a greve somente após ser notificada pelo sindicato. A pasta confirmou que haverá uma audiência amanhã com representantes da pasta e do Sepe. Profissionais reclamam que não houve avanço nos temas pedagógicos assinados no acordo do ano passado e que, por isso, não basta tratar somente as questões salariais.

"Inoportuna"

A Secretaria Estadual de Educação lamentou a decisão do Sepe e afirmou que a greve é “inoportuna”, já que os sindicatos estão em negociação com a pasta. Destacou que este ano o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, recebeu representantes da União dos Professores Públicos do Estado e do Sepe, que compõem o Grupo de Trabalho formado a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os prejudicados

Ainda de acordo com a secretaria estadual, os maiores prejudicados com a greve serão os alunos da rede pública. A pasta reiterou que a proposta de reajuste salarial para todos os servidores da pasta é de 8%, incluindo inativos e pensionistas. Contudo, o texto tem que passar por votação na Assembleia Legislativa. Sobre o Grupo de Trabalho, nova reunião está marcada para o dia 12 de maio.

Ampliação de bônus

A assembleia de ontem durou cinco horas e contou com discursos de educadores e alunos da rede pública. Coordenadora do Sepe, Marta Moraes ressaltou a importância de funcionários da administração e cozinha para o funcionamento da escola. “Os professores têm vale cultura de R$ 500, mas outros profissionais não recebem o benefício. O estado precisa entender que eles também são educadores”.

Demais municípios

Segundo o Sepe, outras redes municipais estão em greve ou se mobilizam. São Gonçalo, por exemplo, está em greve desde 25 de março. Duque de Caxias faz desde terça-feira greve de advertência de 72 horas, que pode ser ampliada, caso o prefeito Alexandre Cardoso não aceite as reivindicações da categoria. Também os servidores de Niterói aprovaram paralisação de 48 horas desde ontem.

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