Por felipe.martins

Rio - Se nos últimos meses o tomate foi considerado o vilão da inflação, em abril esse foi o produto que mais caiu de preço no Rio de Janeiro. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor do alimento teve variação de -20,23% no mês passado. A batata, por sua vez, ficou 13,25% mais cara e influenciou a alta de 0,31% na cesta básica dos cariocas.

De acordo com o estudo, os principais alimentos da mesa do brasileiro custam, no total, R$ 346,18 no Rio, a quinta capital com cesta mais cara do país, entre as 18 avaliadas pela entidade. Esse valor corresponde a 51,97% do salário mínimo líquido.

A queda no preço do tomate pode ser explicada pela diminuição da demanda, em função das altas nos dois meses anteriores. Já o aumento da batata ocorreu graças ao clima quente e seco, que prejudicou a produção proveniente da safra das águas, segundo o Dieese.

A pesquisa também mostra aumentos significativos de preços nos principais itens da cesta, entre eles, banana (8,51%), óleo (4,41%), feijão (4,25%) e arroz (4,08%). Vale lembrar que essas variações são sazonais e estão relacionadas, em grande parte, às variações climáticas. Isso significa que o aumento não é definitivo, mas varia positiva ou negativamente, de acordo com o mês do ano em que foi pesquisado.

Das 18 capitais onde a pesquisa foi feita, 17 apresentaram alta nos preços. Porto Alegre foi identificada como a cidade mais cara, com variação de 0,9% em relação a março, com a cesta básica custando R$ 359,37. Goiânia foi a única que apresentou retração, com variação de -5,41%. O preço na capital de Goiás é de R$ 293,27.

Após análise do estudo, o Dieese concluiu que em abril deste ano o menor salário necessário deveria ser de R$ 3.019,07, ou seja, 4,17 vezes mais que o mínimo em vigor, de R$ 724. Os cálculos levam em consideração que o piso nacional deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Última semana de abril teve valores maiores

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pela Fundação Getulio Vargas, subiu 0,84% na primeira semana de maio — alta de 0,07 ponto percentual com relação ao registrado na última semana de abril. A maior contribuição partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação (-0,77% para -0,03%). Nesta classe de despesa, vale destacar o comportamento do item passagem aérea, cuja taxa passou de -29,31% para -13,12%.

Também registraram alta os grupos Habitação (0,65% para 0,74%), Transportes (0,51% para 0,61%) e Comunicação (0,05% para 0,12%) — nos itens: tarifa de eletricidade residencial (1,30% para 2,50%), automóvel novo (0,38% para 0,55%) e tarifa de telefone residencial (-0,05% para 0,28%).
O grupo Alimentação, por sua vez, teve queda de 1,42% para 1,31%, puxado pela carne bovina (2,05% para 0,88%); assim como Vestuário (0,90% para 0,73%), e Saúde e Cuidados Pessoais (1,40% para 1,39%).

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