Por felipe.martins

Rio - A demora da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) em divulgar os resultados do laudo técnico sobre a doença da vaca louca em um bovino da JBS já prejudica o Brasil no mercado internacional. O exame vai comprovar se o caso, ocorrido no Estado do Mato Grosso, no dia 19 de março, foi atípico ou clássico — com grau de contaminação ou não. Nesta quinta-feira, dia previsto para a publicação do laudo, o Peru impôs embargo temporário de 180 dias à carne bovina brasileira.

Mesmo sendo um parceiro comercial de baixa relevância, representando 0,1% das exportações brasileiras, a decisão gerou desconforto no mercado. Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli diz que o embargo surpreendeu os empresários e o governo.

Laudo da Organização Mundial de Saúde Animal deve sair nesta sexta-feiraReprodução

“Estranhamos a posição do Peru até porque o animal não entrou na cadeia de produção. Não há risco. Independende do resultado, o assunto já foi encerrado pela OIE. Todas as providências sobre o aspecto legal foram tomadas. Tecnicamente sabemos que não há motivos para isso”, afirma Camardelli, antecipando que a Abiec solicitou ao governo brasileiro uma audiência com embaixador do Peru para que seja organizada uma visita da associação ao país para mais esclarecimentos.

Para ele, a possibilidade de que a decisão do Peru seja seguida por outros parceiros comerciais está descartada. Segundo o presidente, a entidade se prepara para dar os esclarecimentos aos países que solicitarem.

“Se a OIE já legitimou a finalização do processo, isso quer dizer que o resultado de amanhã vai trazer a comprovação de que é um caso atípico de vaca louca, porque o animal era velho”, completa Camardelli. A OIE se comprometeu a enviar o laudo conclusivo ao Brasil hoje. Até agora, o prazo inicial já foi modificado duas vezes.

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