Por felipe.martins

Rio - A equipe já está convocada, mas parece que o carioca ainda não entrou em campo quando o assunto é a Copa do Mundo. A 34 dias da competição, os comerciantes ainda esperam que as vendas engrenem. Gerente da loja Brink Mais, na Saara, Maria Lúcia Barbosa afirma que o movimento do estabelecimento está fraco, quando comparado ao ano de 2010, na Copa da África do Sul.

“Há quatro anos, as pessoas estavam muito mais animadas, compravam em grandes quantidades. Este ano os produtos são vendidos apenas no varejo, ainda não tive cliente no atacado”, diz.

Em uma caminhada pelo centro comercial, é possível ver que o verde-amarelo está presente, mas ainda não coloriu totalmente as fachadas das lojas. Presidente da Saara, Ênio Bittencourt assume que as vendas ainda estão tímidas, mas diz que não há motivo para preocupação entre os lojistas.

Decoração inspirada na Copa do Mundo na Saara%3A o verde e amarelo está colorindo as ruas%2C mas as vendas ainda não empolgam o comércioCarlo Wrede / Agência O Dia

“As greves, a mudança de trânsito no Centro e os feriados nos atrapalharam no início do ano, mas vamos chegar ao ponto em que vamos vender bastante”, espera. Entre os itens mais procurados estão a camisa da Seleção Brasileira, que tem preço entre R$ 15 e R$ 390, dependendo da marca.

Mercadão de Madureira

Proprietário de seis lojas no Mercadão de Madureira, onde circulam cerca de 80 mil pessoas por dia, Jalnir José Soares gastou cerca de R$800 mil em produtos para o período, entre camisas, cornetas, bandeiras e outros adereços com a temática da Copa. Ele espera lucrar o dobro do que investiu, mas afirma que a demanda só deve engrossar a partir de segunda-feira, após o Dia das Mães. “Já tive aumento de 30% nas vendas, mas espero chegar a 100%”, avalia.

Ele conta com o bom desempenho dos 23 jogadores convocados por Felipão para impulsionar os negócios. “Quanto mais jogos a seleção vencer, melhor, mas se chegar até as quartas de final eu já fico feliz”, afirma.
Dono da J Elias Sports, em Copacabana, Jorge Elias também sente falta do vai e vem de clientes, comum nas épocas que precedem o torneio. “Falta quase um mês e o movimento nem começou a ficar morno”, lamenta.

Em sua loja, ele aposta nas camisas verdes e amarelas, de R$ 29,90 a R$ 49,90. Apesar do início lento, o comerciante crê que em breve a clientela vai começar a tirar o dinheiro do bolso. “O brasileiro é assim mesmo, sempre deixa tudo para a última hora. A partir do dia 15, o pessoal corre atrás. Os turistas também vão chegar, e pode ser que as vendas melhorem”, diz esperançoso.

?“Competição tira o foco do comércio”

Para Aldo Gonçalves, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, do Sindilojas-RJ e do Clube dos Dirigentes Lojistas, a Copa do Mundo não será um evento bom para o comércio na capital.

“A Copa tira o foco do consumo. Vai ser bom para os bares, restaurantes e para o comércio popular, que vende cornetas, camisas e bandeirolas. Mas para o comércio como um todo, será ruim”, acredita ele.

“Em 2010, na Copa da África do Sul, as pessoas estavam muito mais animadas, compravam em grandes quantidades, ”Maria Lúcia Barbosa, gerente da loja Brink Mais, na SaaraCarlos Wrede / Agência O Dia

Aldo afirma que também tem percebido a falta de empolgação dos cariocas com o Mundial. Para ele, apesar de o desemprego estar baixo, a sensação geral é de desconfiança com a economia, e a renda do brasileiro estaria sendo corroída pela inflação, impedindo gastos extravagantes com itens supérfluos. “No fim do mês, as famílias priorizam comida e remédios, que são os gastos mais importantes”, diz.

Febre do álbum faz banca vender dois mil pacotes

Enquanto o comércio espera o torcedor se empolgar com a competição, há um setor que não tem do que reclamar. Os jornaleiros estão nadando de braçadas com as vendas de álbuns e figurinhas da Copa, publicados pela Panini.

Dono de uma banca em Icaraí, em Niterói, José Carlos da Silva afirma que chega a vender dois mil pacotes de figurinha nos fins de semana. Seu estabelecimento virou ponto de encontro dos colecionadores dos cromos com os rostos dos jogadores. Cada pacotinho custa R$1, enquanto o álbum sai por R$ 5. No ‘mercado paralelo’ é possível comprar figurinhas avulsas para completar as páginas.

Silva diz que, na bolsa de valores informal, a figurinha mais bem cotada é a do atacante Neymar, vendida a R$ 8. O adesivo do jogador português Cristiano Ronaldo sai a R$ 6. Na região, também é possível encontrar quem venda o álbum completo, por R$ 250. “No fim de semana é uma loucura, fica até difícil de andar em frente à banca. Tem gente de todas as idades, de crianças a idosos”, diz.

TV impulsiona linha marrom

A venda de televisores deve aquecer o mercado dos produtos da chamada “linha marrom”, que também inclui DVDs, aparelhos de som e home theaters.

A previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é de que as lojas especializadas na comercialização desses produtos elevem os ganhos em R$826 milhões.

Além do Mundial, a entidade atribui o otimismo à redução nos preços dos televisores, ao encarecimento da manutenção e à perspectiva de estabilidade na taxa de câmbio.

A LG aposta em unidades de tela grande e alta resolução. A marca lançou no Rio, em abril, modelos da série Ultra HD 4k, nas versões 55, 65 e 84 polegadas. A tecnologia chamada 4k tem resolução quatro vezes maior do que as das TVs full HD.

Pesquisa da Fecomércio-RJ mostra que 13% dos brasileiros pretendem comprar um bem durável até junho. Deste grupo, um em cada três tem intenção de adquirir uma TV.

Você pode gostar