Por fernanda.magalhaes

São Paulo - Quinto maior destino da carne bovina brasileira no exterior, o Egito anunciou embargo de 180 dias ao produto com origem em Mato Grosso, em razão do caso de mal da vaca louca identificado no Estado em março. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério da Agricultura.

Trata-se do primeiro grande cliente da carne bovina brasileira a decretar o embargo. Até agora apenas o Peru, que representa 0,5% das exportações, havia adotado a medida.

Em 2013, o Egito importou US$ 486,5 milhões em carne bovina, equivalente a 7% do total exportado desse produto pelo Brasil, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Carne (Abiec).

Naquele ano, cerca de um terço (37%) da carne bovina enviada ao Egito foi produzida em Mato Grosso, de acordo com o Ministério da Agricultura. A pasta, porém, usa os dados em volume, e não em valor.

A Abiec já havia recebido relatos de que as autoridades egípcias vinham colocando algumas dificuldades à importação do produto originário de Mato Grosso. O mesmo estaria ocorrendo no Irã, 7º maior comprador da carne bovina brasileira.

Delegação russa debate tema em Brasília

Como o iG mostrou, nesta sexta-feira uma delegação da Rússia – o principal destino da carne brasileira – debaterá o caso de mal da vaca louca numa reunião de rotina com integrantes do Ministério da Agricultura. Moscou não vê necessidades de impor sanções, ao menos por enquanto, segundo uma fonte.

União Europeia e Estados Unidos, também grandes compradores, informaram que descartam qualquer restrição.

O Brasil continua a ser considerado um país com risco negligenciável para o mal da vaca louca pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), entidade ligada à Organização Mundial do Comércio (OMC) cujas posições balizam as transações internacionais de carne bovina e outros produtos.

A avaliação da OIE é que as medidas para evitar a proliferação da doença no Brasil estão funcionando.

Doença ocorreu em animal adquirido pela Friboi

O caso de mal da vaca louca foi identificado em março, num rebanho adquirido pela JBS-Friboi de um produtor. Os exames preliminares apontam que se trata de um caso atípico – em que a doença não é causada pela ingestão de alimento contaminado. O animal doente, uma vaca, foi sacrificado e não chegou ao consumidor final.

O Ministério da Agricultura alega que o caso foi isolado, pois nenhum dos 49 animais que nasceram na mesma época da vaca doente apresentaram indícios do mal da vaca louca.

O resultado sobre se o caso é, de fato, atípico, deverá ser conhecido na tarde desta sexta-feira.

Com informações de Vitor Sorano

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