Por fernanda.magalhaes

Distrito Federal - Uma delegação da Rússia, principal destino da carne brasileira no exterior, irá discutir nesta sexta-feira com autoridades brasileiras o caso de doença da vaca louca ocorrido em Mato Grosso, em março.

Segundo uma fonte ouvida pelo iG, o governo russo descarta por ora impor restrições. Nesta quinta-feira, o Peru – um cliente menor – anunciou um embargo de 180 dias à carne nacional.

"Recebemos informações relativas ao caso [de vaca louca], que estão sob estudo dos nossos especialistas", informou a fonte. "Não há medidas restritivas de nossa parte, ao menos por enquanto. A situação é muito dinâmica, mas no momento parece estar sob controle."

O encontro, que ocorrerá em Brasília, também servirá para a discussão de outros temas relativos à pecuária, como controle de febre aftosa.

Segundo o Ministério da Agricultura, a reunião é de rotina e contará apenas com a participação do corpo técnico da pasta. O ministro Neri Gheller ou seus secretários não farão parte do encontro.

Em 2013, a Rússia comprou US$ 1,4 bilhão em carne bovina brasileira, ou 18% do total exportado, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

EUA e Europa também evitam embargo

O caso de vaca louca foi registrado em março, em Mato Grosso, em meio a um rebanho comprado pela JBS-Friboi, e confirmado pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), no início deste mês. O animal – uma vaca de 12 anos – foi sacrificada e não chegou ao consumidor final.

A OIE, entidade ligada à Organização Mundial do Comércio (OMC) e responsável por balizar as transações internacionais do produto, informou que por enquanto manterá o Brasil na lista de países com risco neglicenciável de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), nome médico da doença da vaca louca.

“Como o procedimento da OIE é baseada numa análise geral de risco, a ocorrência de um caso de EEB não leva, automaticamente, à suspensão do status de risco de EEB [de um país], exceto se houver mudança na situação epidemiológica que mostre falha nas medidas destinadas a diminuir o risco”, informou a organização.

Em razão disso, a União Europeia – terceiro maior comprador da carne bovina brasileira no exterior – informou que não vê necessidade de impor qualquer restrição. A postura é semelhante à adotada pelos Estados Unidos, também um importante mercado.

“O anúncio recente de um caso de EEB no Brasil não vai mudar esse status [de região com risco controlado para a doença, na avaliação americana], nem vai alterar ou impactar o atual fluxo de comércio do Brasil”, informou Abby Yigzaw, do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Com informações de Vitor Sorano

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