Por bferreira

Rio - A 21 dias da Copa do Mundo, a maioria dos cariocas vai preferir assistir aos jogos do Mundial em casa. Muito além do conforto, a explicação está na preocupação com o aumento dos gastos com a alimentação em bares e restaurantes. É o que mostra levantamento feito entre moradores do Rio pela Overview Pesquisa, que aponta que 55,7% planejam acompanhar os jogos na residência. O objetivo é fugir da inflação.

Segundo a pesquisa, feita com 823 moradores entre os dias 5 e 12 de maio, 91,6% pretendem ficar na cidade durante o Mundial. Sócio diretor da Overview, Luis Eduardo Guedes acredita que os transtornos provocados pelos jogos no Rio, como fechamento de ruas e esquema especial de trânsito, podem estar estimulando o carioca a decidir assistir aos jogos em sua casa.

“O aumento na compra de televisores também reflete bem essa intenção do carioca de fugir do trânsito. Nas outras Copas, as pessoas se deslocavam para a casa de amigos, mas com o evento aqui, a dificuldade de locomoção acaba sendo um impeditivo”, observa Guedes, descartando qualquer possibilidade de o morador do Rio estar com medo das manifestações.

“Mesmo que 88,4% acreditem que haverá manifestações e 54% achem que os protestos vão atrapalhar o andamento da Copa, a maioria, 88,2%, disse que se houver manifestações durante o Mundial não vai participar. Quando os jogos começarem será uma festa para os cariocas. As manifestações vão perder força e os problemas de capacidade de realização e legado vão ser deixados de lado, temporariamente”, aposta Guedes.

O receio dos cariocas em gastar com alimentação durante a Copa é confirmado pelos números da inflação. Desde o início do ano, o índice não vem dando trégua. Os dados do IBGE, como o IPCA-15, mostram que o Rio de Janeiro é a cidade que conta com a maior inflação acumulada no ano, até maio. O índice ficou em 3,89%, frente a 3,51% do indicador nacional.

No item alimentos e bebidas, a alta acumulada no ano no país chega a 5,43% e no Rio a 6,28%, uma das regiões mais caras, perdendo apenas para Curitiba (PR), com 6,36%.

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