Servidores do IBGE entram em greve em todo o país a partir desta segunda

Entre as reivindicações estão o fim da contratação temporária e convocação de concursos públicos para preencher mais de quatro mil vagas que estariam em aberto no quadro de pessoal

Por O Dia

Rio - Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) vão cruzar os braços por tempo indeterminado em todo o país a partir desta segunda-feira. No Estado do Rio, três das cinco unidades do órgão já decidiram parar suas atividades. O pessoal lotado no prédio da Avenida Chile, no Centro da cidade, faz assembleia hoje para decidir se vai aderir ao movimento. Já os funcionários da unidade da Rua General Canabarro, no Maracanã, têm reunião marcada para terça-feira, quando avaliam se também param por prazo indeterminado.

De acordo com a associação nacional da categoria, 12 unidades do IBGE já haviam decidido parar após fazer assembleias. São elas: Unidade Estadual, Sede e Parada de Lucas, todas no Rio; além de Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Procurada, a direção do instituto informou que não iria se pronunciar sobre a greve neste momento. O comando do órgão divulgou que aguardaria o desenrolar do movimento para avaliar a adesão dos servidores à paralisação e então se posicionar a respeito da paralisação.

Funcionários do IBGE entram em greve em todo o Brasil a partir desta segunda-feiraDivulgação

A pauta de reivindicação é extensa. Os servidores querem, segundo a entidade, o fim da contratação temporária, convocação de concursos públicos para preencher mais de quatro mil vagas que estariam em aberto no quadro de pessoal, e salários compatíveis com os dos órgãos do ciclo de gestão do governo, como Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Eles também pedem que o IBGE tenha autonomia técnica em relação ao governo.

A direção da associação informou à coluna que, em relação às pesquisas, feitas pelo instituto ‘é difícil afirmar agora qual será afetada’. Em nota, explicou que a suspensão dos trabalhos de levantamento dependerá de uma série de fatores, entre eles a paralisação da coleta de dados pelas agências, o repasse para os setores de análise para a disseminação das informações.

O funcionalismo cobra também a saída da atual direção do IBGE para que, na visão deles, os problemas da instituição possam ser solucionados. Os funcionários reivindicam o fim imediato do mandato da atual presidenta Wasmália Bivar e dos membros do Conselho Diretor do órgão. Querem que os chefes de unidades com mais de quatro anos no cargo também deixem as respectivas funções.

Carta aberta

Os coordenadores estaduais da Pnad Contínua enviaram uma carta aberta para a presidência do IBGE. No documento, afirmam sofrer com o ‘dramático processo de esvaziamento do corpo funcional por aposentadorias e pedidos de exoneração, sem que haja uma recomposição por meio de concurso público’. Para o grupo, contratação temporária não é a solução ideal.

Falta de recursos

Eles citam ainda que a classe não recebe recursos suficientes para novos instrumentos de trabalho: “Calcula-se que para a Contagem da População seriam necessários aproximadamente 220 mil novos equipamentos. Hoje não temos sequer condições de adquirir quatro mil equipamentos, necessários para implementação de melhorias no sistema da Pnad”.

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