Por bferreira

Rio - A PSA Peugeot Citroën anunciou ontem a abertura de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) na fábrica de Porto Real, no Sul Fluminense. A empresa pretende cortar 650 dos cerca de quatro mil funcionários da planta. Comunicado divulgado pela companhia informa que a medida tem o objetivo de adequar a produção da unidade diante da queda nas vendas internas de veículos e na exportação para a Argentina.

PSA Peugeot Citroën%3A corte de 650 vagas em Porto Real vai adequar a produção à queda nas vendas internas e nas exportaçõesDivulgação

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, o plano é voltado para os funcionários operacionais, pois a empresa pretende acabar definitivamente com um de seus turnos de produção. Desde fevereiro deste ano a fábrica já opera em dois horários. Na época, foi feito um acordo com o sindicato da categoria para evitar demissões e os empregados foram temporariamente suspensos. O PDV vai substituir o acerto com o sindicato.

Os funcionários que aderirem ao plano vão receber um salário adicional por cada ano trabalhado. Para os funcionários mais novos na casa, foi determinado um adicional mínimo de R$4.050. A empresa também pagará uma ajuda para o custeio do plano de saúde, no valor de R$ 250 para cada membro da família do empregado, durante seis meses.


Outro compromisso firmado foi o de oferecer cursos de empreendedorismo em parceria com o Sebrae.
“Como a região cresceu muito, ela precisa aumentar o setor de serviços, principalmente, na área de Porto Real. Por isso, os trabalhadores que tenham interesse podem fazer os cursos”, afirmou Bartolomeu Citelli, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense.

Segundo o funileiro Luiz Rondelo, há muitos funcionários interessados em aderir ao plano. Ele afirma que eles pleiteiam vagas em outras empresas da região, como a Nissan. “Em setores mais especializados, corre o risco até de todo mundo querer sair e a empresa ter que escolher”, afirma ele.

A Peugeot já chegou a produzir 180 mil carros por ano na fábrica de Porto Real. Atualmente, produz cerca de 100 mil unidades. “A empresa tinha planos maiores quando chegou no Brasil. Mas hoje, o mercado é outro”, disse Citelli.

Redução também em Portugal

A PSA Peugeot Citroën também cortou vagas de sua fábrica na cidade de Mangualde, em Portugal. A empresa demitiu 280 funcionários e vai fechar o terceiro turno de produção no dia 25 de julho. Com a redução, a planta passa a contar com 820 colaboradores.

A justificativa para o corte de Portugal foi diferente da que ocorreu no Brasil. A empresa alegou que o terceiro horário estava previsto para ser transitório, pois ele foi alavancado pelos lançamentos dos modelos Citroën C-Elysée e Peugeot 301.

A abertura de um turno extra aumentou a produção da fábrica europeia em 25 mil veículos no período.
A direção informou que os colaboradores demitidos serão priorizados em futuras contratações.

Ford e GM demitem

Além da PSA, outras montadoras no Brasil estão com dificuldades em manter seus funcionários. A Ford abriu um Plano de Demissões Voluntárias na semana passada, em sua fábrica de Taubaté, no interior de São Paulo.

A GM também adotou a medida nas unidades de São Caetano do Sul e de São José dos Campos, no interior paulista.

Apesar dos números baixos ante 2013, a venda de veículos no país se recuperou em abril. No mês, foram 293 mil unidades licenciadas, um aumento de 21,8% em relação a março.

As exportações cresceram 55,7% frente a março, passando de 23,5 mil para 36,7 mil. Na comparação com abril de 2013, quando 52,8 mil unidades foram exportadas, houve redução de 30,4%.

Polo pode absorver mão de obra

As outras fábricas instaladas no polo automobilístico do Sul Fluminense podem absorver parte da mão de obra que será dispensada da PSA.

O funileiro Luiz Rondelo afirma que existem possibilidades de contratação principalmente na Nissan e em fornecedoras, como a Michelin.

A Nissan inaugurou sua fábrica no mês passado em Resende, no Sul Fluminense, com a produção dos modelos Versa e New March. A partir de 2016, a empresa japonesa também produzirá o Extrem.

“Apesar de a situação do mercado não estar boa, aqui no polo estamos em expansão”, avalia Citelli, citando os investimentos que serão feitos pela Jaguar Land Rover, na abertura de uma fábrica em Itatiaia.

A montadora está investindo R$ 750 milhões na instalação da planta, que deve começar a operar em 2016. Inicialmente, haverá geração de 400 empregos diretos.

A empresa estima que até 2020, quando a fábrica estiver 100% concluída, o número pode dobrar.

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