Por felipe.martins

Rio - Após a divulgação de um Produto Interno Bruto (PIB) modesto no primeiro trimestre do ano, analistas de mercado revisaram para baixo as estimativas de crescimento da economia do país para 2014 e 2015. O boletim Focus, publicado ontem pelo Banco Central, reduziu a projeção de alta de 1,63% para 1,50% este ano, e de 1,96% para 1,85%, no próximo ano. O valor é bem mais baixo do que o governo estimava para 2014: 2,3%.

Nos três primeiros meses do ano, o PIB cresceu apenas 0,2% em relação ao último trimestre de 2013, de acordo com IBGE. O consumo das famílias recuou 0,1%, que sofreu pressão dos juros altos, que atingem famílias como a de Aldenise Silva, 53 anos, dona de uma pensão. “Precisei pegar dois empréstimos para quitar as dívidas do meu negócio e fico assustada com as taxas”, afirma.

Aldenise Silva se surpreende com as taxas dos empréstimosFernando Souza / Agência O Dia

Mas o fator preponderante para o fraco desempenho foi o resultado do setor industrial, que retraiu 0,8% no primeiro trimestre. Após o resultado, o mercado reduziu as expectativas para o crescimento da indústria em 2014, de 1,40% para 1,24%. Para 2015, a expectativa é mais positiva, de alta de 2,20%.

“O setor industrial necessita de apoio, ele não tem condições de apresentar números positivos sem incentivos”, afirma o Marcos Antônio de Andrade, professor de Economia Global da Universidade Mackenzie.

Para o professor, a estimativa de crescimento de 1,5% é adequada à realidade da economia brasileira. Ele diz que a avaliação do resultado depende da perspectiva adotada.

“Se você comparar com os países desenvolvidos da Europa, é um PIB bom. Mas um fator que preocupa é a comparação com outros países da América Latina, pois todos devem crescer acima de 3%, com a exceção da Argentina, que está em crise”, avalia.

Atuação do BC faz dólar subir 1,5% e fechar a R$2,27

O dólar comercial teve alta de 1,55% ontem e chegou a R$ 2,2755 na venda. É o maior valor desde 20 de dezembro do ano passado. O volume financeiro ficou em cerca de US$1,3 bilhão (R$ 2,9 bilhões), segundo a Bovespa.

Um dos motivos da valorização foram as dúvidas sobre a atuação do Banco Central na política cambial. Foi a segunda alta expressiva em uma semana. Na sexta-feira, a divisa subiu 0,76%, fechando em R$ 2,241 para a venda.

Desde agosto do ano passado, o governo intervém na bolsa fazendo a rolagem do vencimento de contratos de câmbio para segurar a alta do dólar no mercado. No entanto, esta ação está sendo reduzida progressivamente pela autoridade monetária e há dúvidas sobre as intervenções nos próximos meses. O programa termina no dia 30 de junho.

Em maio, o BC reduziu o seu ritmo de rolagens, deixando vencer pouco menos da metade do lote equivalente a US$ 9,653 bilhões. Neste mês, a iniciativa pode continuar a ser reduzida.

Analistas de mercado ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central, estimam que a moeda norte-americana chegará a R$2,40 até o fim de 2014. A previsão foi reduzida: a projeção inicial era de R$2,45 e passou para R$2,40. Para 2015, a expectativa é que a moeda chegue a R$ 2,50.

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