Bebidas não alcoólicas sobem 30% no atacado

Distribuidores reclamam que fornecedores estão aumentando preços de olho no movimento da Copa. O DIA verificou a diferença de valores no comércio

Por O Dia

Rio - A Copa do Mundo fez o preço das bebidas não alcoólicas subir. A caixa de Guaravita com 36 unidades antes da competição, por exemplo, era R$16,50, e agora a mesma caixa sumiu das prateleiras e só há a de 24 unidades, a R$ 14,50. O DIA verificou com atacadistas, comerciantes e clientes que a alta chega a 30%.

Gabriela Guedes%2C 26 anos%2C escolhe as bebidas que irá levar%3A alta nos preços é repassada ao consumidorAlessandro Costa / Agência O Dia

Joel Silva, 28 anos, gerente da distribuidora de bebidas Farias Ribeiro, na Lapa, disse que os produtos aumentaram em junho. “Tentamos não repassar o valor ao cliente, mas é quase impossível. E quando repassamos, é para manter o lucro, que não é alto. O que acabamos fazendo é trocar de fornecedor”, disse.

O preço de uma caixa de Coca-Cola 350 ml com doze unidades custava R$ 18, antes da Copa. Agora, sai a R$20,40 (alta de 13%) no Lapa Bebidas. “A Ambev cobra caro. Tem bebida que subiu R$ 7. Quando a gente consegue, buscamos em outros lugares. Mas não temos muitas escolhas”, lamenta o gerente Fernando Peçanha, 31 anos, do Arco das Águas.

A alta no preço dos fornecedores para os distribuidores acaba repassada para o cliente final. Cleiton Santana foi comprar bebida para o churrasco que fará na próxima sexta-feira durante o jogo do Brasil contra a Colômbia e não gostou dos valores cobrados.

“Já comprei caixas de cerveja e refrigerante antes da Copa e os preços eram menores. A gente paga o pato quando quer se divertir”.

Além dos preços mais elevados cobrados pelos fornecedores, há diferença de valores entre as distribuidoras. No depósito Arco das Águas, uma caixa de suco Dell Vale com doze unidades custa R$ 18, enquanto no Nova Lapa sai a R$ 14,50 (diferença de 24%).

O gerente do Arco das Águas, Evandro Correia, 54 anos, disse que não tem como diminuir o preço das bebidas, mas tenta comprar em dias de promoção. “Tento fazer o pedido quando o vendedor vem aqui, porque sai mais barato. Ele oferece desconto quando o pedido é alto”.

Procurada, a Ambev informou que não comenta aumento de preços.

Aumento já era esperado, mas superou a expectativa

A alta no preço das bebidas estava prevista pelo governo e por fabricante de bebidas, mas os valores foram acima das estimativas.

A Receita Federal afirmou em abril que o preço de bebidas frias, categoria que inclui cervejas, refrigerantes, energéticos, isotônicos e refrescos, iria subir até 2,25% em média após reajuste na tabela de tributação do setor.

A Receita havia informado que a nova tabela traria um impacto médio de 1,3% no preço final das bebidas.

Representantes de empresas que fabricam bebidas frias calcularam que os preços dos seus produtos para os distribuidores subiriam cerca de 5%. E para o consumidor, a alta era estimada a ser maior, já que o varejo ainda iria repassar o preço.

Ambev chegou a anunciar que não iria reajustar o preço das bebias até o fim da Copa (13 de julho), após o governo comunicar a elevação dos impostos sobre cervejas e outras bebidas, em um movimento para gerar R$ 200 milhões em receita extra.

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