Plano de saúde sobe até 9,65%

Percentual é o maior em nove anos e vale para o período entre maio de 2014 e abril de 2015

Por bferreira

Rio - As mensalidades dos planos de saúde médico-hospitalares individuais contratados a partir de 1999 podem ser reajustadas em até 9,65% neste ano. O limite máximo, estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é o maior em nove anos e superior à inflação.

A ANS%2C presidida por André Longo%2C deve recorrer da decisão em breveDivulgação

O reajuste será aplicado pelas operadoras para o período de maio de 2014 até abril de 2015. Quem recebeu os boletos de maio, junho ou julho sem o aumento terá de pagar retroativamente.

Segundo a ANS, cerca de 8,8 milhões de pessoas que possuem planos médico-hospitalares — ou 17,4% desse mercado — possuem planos que estão sujeitos ao limite. Ele não vale para convênios exclusivamente odontológicos, os planos dentais.

Embora valha apenas para os individuais, o teto é a média dos reajustes dos planos coletivos com mais de 30 clientes, como os contratados por empresas para oferecer a seus empregados, e que respondem pela maior fatia do mercado. Por isso, ao se tornar mais alto, o teto indica que os planos de saúde em geral têm tido reajustes maiores.

O limite de 9,65% indica, assim, que os planos de saúde tiveram reajustes 3,5 pontos percentuais acima da inflação oficial, de 6,15%, registrada entre abril de 2013 e março de 2014 — período considerado pela ANS no cálculo do teto — pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE.

A ANS discorda da comparação com o indicador médio da inflação, e leva em conta a variação de preços dos Serviços de Saúde medida pelo IPCA, que foi de 8,95% até abril de 2014.

“O índice de reajuste divulgado pela ANS não é um índice de preços. Ele é composto pela variação da frequência de utilização de serviços, da incorporação de novas tecnologias e pela variação dos custos de saúde, caracterizando-se como um índice de valor. Em 2014, a variação anual de custos e frequência correspondeu a 9,65%”, diz a agência de saúde, em nota oficial.

Em alta constantes desde o ano de 2011

O teto de reajuste para planos individuais começou a ser estabelecido em 2000 pela ANS. Ele já chegou a cair em alguns anos, mas desde 2011 está em alta constante. Ano passado, por exemplo, o aumento foi de 9,04% e no ano anterior, de 7,93%. Os menores índices dos últimos 14 anos são os de 2000 (5,42%), de 2008 (5, 48%) e de 2007 (5,76%)

Como se refere a contratos individuais, é possível que o plano usado não suba os 9,65% este ano, podendo o reajuste ficar abaixo desse índice. Ocorre, porém, conforme informado pela Agência Nacional de Saúde, que quem recebeu os boletos de maio, junho ou julho sem o aumento terá de pagar retroativamente.

Como parte da justificativa do aumento oito das maiores empresas do setor informaram esta semana que elevaram mais seus gastos administrativos do que as despesas com tratamentos de clientes em 2013. A receita também cresceu menos.

Reportagem de Vitor Sorano

Últimas de _legado_Economia