Por bferreira

Rio - Se no gramado as seleções preferidas para ganhar a Copa do Mundo são os eternos rivais Brasil e Argentina, ao considerar a conjuntura econômica quem levanta a taça é a Alemanha. Não adianta torcer e soprar as cornetas, afinal, nessa análise a quantidade de gols não conta. O que faz de um país campeão é ter os melhores indicadores (confira o infográfico ao lado), como grande crescimento econômico, a menor inflação, juros baixos e credibilidade dos investidores.

Clique na imagem acima para ver o infográfico completoArte%3A O Dia

E são esses quesitos que fazem da Alemanha um time completo. O país é a potência mais importante da Europa e a quinta no ranking mundial. Segundo o professor de Finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec/RJ), Gilberto Braga, o país tem uma base industrial antiga e recebe uma grande vantagem por isso. “É uma nação histórica, com grandes desenvolvimentos na indústria e na economia como um todo”, disse.

SEGUNDO LUGAR

Outro europeu a ficar no topo do ranking é a França, sendo a segunda colocada na competição econômica. Com o futebol desclassificado pela Alemanha, os franceses impulsionam o Produto Interno Bruto (PIB) — conjunto de riquezas produzidas — da zona do euro. Ou seja, entre as 17 nações que integram o grupo, os dois países são os maiores responsáveis pelo aumento do PIB.

Assim como no futebol, Brasil e Argentina disputam de forma acirrada também na economia. Mas ao contrário de receber o título de campeã do mundo como recompensa, o vencedor desse embate ganha a posição de “lanterninha”.

Os países ocupam os dois últimos lugares do ranking, garante o coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Newton Paiva, Leonardo Bastos. Para ele, as duas economias são muito semelhantes e é difícil escolher quem fica por último. “Os dois têm inflação acima da meta, juros altos, crescimento econômico abaixo do esperado e crise de credibilidade com investidores internos e externos”, enumera.

Mas aí vai uma notícia que os brasileiros vão gostar: mesmo quase empatando, atualmente a dona da “lanterninha” é a Argentina. A rival revive uma crise econômica que assombrou o país em 2001. O problema acontece em razão de um calote em sua dívida pública, que na época era de aproximadamente US$ 144 bilhões (R$ 235,3 bi), e hoje voltou a chegar a US$ 907 milhões (R$ 2 bi). Além disso, a moeda local, o peso argentino, sofre forte desvalorização.

Em relação ao Brasil, Bastos gostaria de estar mais confiante, mas conclui que “os turistas estão vindo, mas a credibilidade só desce.”

Gastos de turistas no país vão além do Rio de Janeiro e São Paulo

Um levantamento da operadora de crédito Visa mostra que os turistas que mais gastam no país no período do Mundial são os dos Estados Unidos, seguidos pelos do Reino Unido, França e México. O crescimento de gastos mais significativo foi de turistas australianos, com um aumento de 835%; de colombianos (765%); de chilenos (519%) e de mexicanos (396%).

As transações de visitantes internacionais com os cartões atingiram U$ 188 milhões, o que representa uma alta expressiva de 152%, em relação ao mesmo período do ano passado. Em paralelo, o crescimento foi 141% maior, se comparado aos primeiros dias da Copa das Confederações da FIFA 2013, 15 a 30 de Junho de 2013, quando os visitantes gastaram cerca de U$78 milhões por aqui.

Este ano, o uso dos cartões Visa para compra atingiu o maior pico no dia 25 de junho, chegando a U$ 17,4 milhões, em um único dia.

“A fase de grupos da Copa do Mundo mostrou que o turismo internacional foi muito além das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e levou torcedores atrás de seus times, por todo o Brasil”, afirma Rubén Osta, diretor-geral da Visa do Brasil. “Estes dados mostram que o evento tem gerado um impacto positivo na economia dessas regiões que são menos visitadas por turistas estrangeiros”, explica.

De acordo com o relatório, algumas cidades-sede dos jogos tiveram mais de 100% de crescimento nos gastos de turistas, sendo que Natal (RN) chegou a um aumento de 851%, enquanto Cuiabá (MT) somou 963%, Curitiba (PR) 167% e Manaus (AM) 409%, contra o ano passado.

Alemães gastam R$ 2.400 em uma semana

Os alemães Dominik Schmich, 27 anos, Dirk Schmich, 38, e Thomas Christmann, 26, gastam cerca de R$ 100 por dia individualmente com comida e bebida no Rio. Hospedados em Copacabana há oito dias, eles garantem que não abrem mão da cerveja e de petiscos típicos da região.

“Cada um consome cerca de R$ 700 por semana, mas não achamos caro. Viemos para conhecer a cidade, então temos que aproveitar”, disse Christmann.

No Rio, os três já experimentaram as cervejas nacionais e não largam a água de coco. Além disso, fazem todas as refeições fora do hotel. Questionados sobre os preços dos alimentos, eles garantem que não se preocupam com isso. “Os valores são secundários, o que mais importa é torcer para a Alemanha no país-sede da Copa. Isso não tem preço”, comemora Christmann.

Segundo o coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Newton Paiva, Leonardo Bastos, esse comportamento reflete a situação econômica do país europeu. “O desemprego na Alemanha tem uma taxa muito baixa, então é comum que eles tenham um poder aquisitivo mais alto”, explica.

Além de aproveitarem as delícias gastronômicas da cidade, os europeus compraram ingressos para os jogos da Alemanha e garantem: ‘A Copa é nossa!’.

Argentinos buscam economizar e acampam no Rio

Ao contrário dos alemães, os argentinos buscam economizar na cidade. Acampados no Terreirão do Samba, na Praça Onze, os ‘hermanos’ fazem as refeições no local e compram os mantimentos no supermercado mais próximo. O gasto diário com alimentos, segundo eles, sai a R$ 100 para três pessoas.
Entre os produtos que não podem faltar para os argentinos estão o macarrão, o hambúrguer e o mate. A erva é usada para o chimarrão, um hábito tradicional do país vizinho.

O argentino Daniel de Aquila, 50 anos, está no Rio há três dias e diz não reparar muita variação de preço em relação ao seu país. “A nossa moeda está desvalorizada mesmo, não faz muita diferença”, desdenha.

Ele veio com os amigos Julian Celedón, Nicolás Aquino, José Rocha e Gaston Sales. Todos garantem que a estadia está valendo a pena, mas não estariam aqui caso não houvesse lugar para acampar. “Nosso país está quebrando, não temos condições de gastar com hotel e comida cara, então viemos com o nosso motorhome e fazemos a nossa própria comida”, disse Aquila.

O professor de Finanças do Ibmec/RJ, Gilberto Braga, afirma que a proximidade geográfica é fator fundamental para a vinda dos argentinos. “Se o país fosse em outro continente, eles não estariam aqui. Com a crise, o turismo de distância não está em alta”, concluiu.

Reportagem de Angélica Martins

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