Gilberto Braga: Comprar novo ou consertar?

Todo mundo na cidade sempre tem essa dúvida em relação aos itens de casa

Por O Dia

Rio - Todo mundo na cidade sempre tem essa dúvida em relação aos itens de casa. A indecisão é justificada, segundo dados oficiais do IPCA do IBGE, para o Rio, pelo fato dos preços dos reparos de serviços pessoais terem subido 20% no primeiro semestre. Isso é mais do que quatro vezes a inflação geral no mesmo período.

Quando eu nasci, na década de 1960 do século passado, a geladeira de casa era alemã e eu não conseguia abrir a porta, tinha alavanca de puxar e parecia um cofre. Ela durou mais 20 anos, assim como o pinguim de louça que ficava sobre ela e de paninho de crochê. Hoje em dia, as geladeiras e os eletrodomésticos em geral não duram muito.

Com a internacionalização da tecnologia e o desenvolvimento da indústria nacional, passaram a ser fabricados no nosso país e com preços mais acessíveis. O problema é que boa parte deles dá defeito logo depois que acaba o período de garantia do fabricante.

Aí começa o sofrimento. Primeiro porque raramente a assistência técnica é perto de casa. Depois não se consegue ligar para o telefone do manual. Se conseguir falar, é outro martírio para agendar visita que temos que pagar, se resolver não fazer o conserto.

Outro dilema: o preço do conserto é quase sempre próximo do valor de um bem novo. O que fazer? Antigamente era só ir na esquina e perguntar onde tinha um técnico de eletrônica, bombeiro, carpinteiro, pintor, estofador ou qualquer outra ocupação que se encontrava com facilidade. Hoje, um técnico competente, confiável e que cobre o preço justo é raridade no Rio. Por isso, todo dia algum amigo pede indicação desses profissionais pelas redes sociais.

A escassez de novos profissionais artesanais é uma consequência da informatização dos últimos anos. A garotada só quer saber de computador, jogos eletrônicos e de internet. Ninguém se interessa mais em ser menor aprendiz, um técnico. Por isso, cada vez mais, os novos produtos se tornam descartáveis rapidamente. Por falta de bons técnicos e preços altos, a maioria, sem opções, acaba comprando tudo novo.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

Últimas de _legado_Economia