Por bferreira

Rio - O brasileiro ainda não confia muito na segurança dos sistemas dos bancos para operações via internet. Por conta disso, apenas quatro em cada dez transações bancárias foram feitas pela rede virtual. Os consumidores preferem abrir mão da comodidade online por julgar os programas dos bancos inseguros.

Levantamento feito pelo iG com 108 internautas que não pagam as contas pela internet constatou que 72% evitam o acesso online por acreditar ser inseguro. Outros 10% responderam que não sabem usar — e 12% justificam que preferem ir ao banco pessoalmente.

Muitos clientes, como Thiago Rodrigues, 25 anos, optam por pagar contas em caixas eletrônicos ou enfrentar longas filas. Ele desativou o acesso online a todas suas contas e, quando precisa visualizar os extratos, vai pessoalmente à agência.

“Meu pai teve um valor retirado de sua conta e não conseguiu recuperar. Depois descobrimos que ele usou computador que havia sido hackeado”, recorda. Thiago só voltaria a acessar o banco pela internet em último caso: “Talvez se as agências físicas ou os caixas eletrônicos fossem extintos”, brinca.

“Adoro ficar na fila. Sempre conheço pessoas interessantes”, justificou uma internauta consultada pela pesquisa do iG. Uma minoria de 4,6% citou outros motivos para evitar o internet banking, como preguiça ou falta de dinheiro.

A psicóloga Luciana Kotaka, 44 anos, se incomoda em enfrentar longas filas para fazer pagamentos, mas ainda assim prefere os meios convencionais. “Não sinto segurança, meu computador já foi invadido diversas vezes, mesmo com bons antivírus”, argumenta.

Para Luciana, um sistema mais seguro e fácil de usar a faria repensar o uso do internet banking. “Agilizaria muito meu tempo e traria mais comodidade no dia a dia”, diz.

Nível alto de segurança

Na opinião do especialista em Direito Digital do escritório Patricia Peck Pinheiros Advogados, Márcio Mello Chaves, o receio em acessar o banco pela internet não tem mais tanto fundamento quando se trata do nível de segurança.

“Os portais de internet banking estão mais seguros, com dupla autenticação, teclados virtuais e transmissão criptografada de dados”, argumenta.

O avanço da tecnologia segundo Chaves, fez com que criminosos deixassem de focar os bancos para mirar os correntistas. Para o especialista em crimes digitais Felipe Brumatti Sentelhas, o perigo está fora do ambiente do banco. O computador do usuário é mais vulnerável a e-mails e sites maliciosos e a malwares (aplicativos que capturam dados).

Reportagem de Taís Laporta

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